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sábado, 8 de setembro de 2007

Bitaite da Semana

vinagrete disse...
Para se darem grandes trambolhões não é necessário trazer o burro de Peniche, porque aqui dão-se quedas a tropeçar nos próprios pés.
Na minha modesta opinião, o JBD está prestes a executar uma queda enrolada, precedida de um mortal invertido, estilo "Nani", por teimar em apoiar o PSD, contra a vontade dos seus próprios companheiros de partido, usando o voto de qualidade para encerrar definitivamente a TUMG.
Não quero, nem devo fazer chicane política, porque o assunto é demasiado sério e este executivo tem legitimidade para governar, porque a "oposição perdeu as eleições" e é minoritária perante a coligação PCP/PSD.
No entanto, enquanto cidadão atento e interessado no desenvolvimento da minha terra, acho que devo, mesmo que sendo neste espaço de liberdade de expressão, lançar algumas preocupações.
O CENTRO da Marinha, quase acabadas as obras, está morto e enterrado. Desde há mais de seis anos que os sinais de definhamento do comércio se faziam sentir, o que aliás está també a acontecer com a indústria tradicional.
Para os que dizem que o Mercado tem que ficar onde está, porque senão o comércio falia, tenho que lembrar que essa coisa a que chamam mercado nunca deixou de funcionar e as lojas não pararam de encerrar, concluindo eu que esse argumento cai do Burro, estrondosamente.
Porque aprendi a usar a cabeça, que não serve só como elemento decorativo para exibir farta cabeleira com retoques de pintura, acho que este executivo comete dois erros que vão ter graves consequências na recuperação e consolidação da zona central da cidade, polarizada no espaço Stephens.
A mudança do mercado para um espaço próximo do Centro e a recontrução do edifício da Resinagem para a instalação de novas valências, com serviços públicos, escritórios, bares e restaurantes, cinemas e uma loja âncora, certamente funcionaria como um grande factor de atractibilidade de pessoas durante 7 dias por semana, das oito horas da manhã às duas da madrugada e isso iria aproximar a população do comércio tradicional.
A TUMG teria aqui o papel fundamental de ligar os parques de estacionamento e a periferia da cidade ao seu Centro Histórico, com a implantação da Linha Azul, como existe em Évora, Coimbra, Leiria, Nazaré, etc., etc.
Percorrendo circuitos que deviam ser estudados com a ACIMG, competindo-lhe ainda, também em articulação com os comerciantes, gerir a utilização do reduzido número de lugares de estacionamento que ficaram depois das obras, para impedir que eles sejam ocupados, durante todos os dias, por funcionários bancários, camarários e até os próprios comerciantes, em prejuizo daqueles que se querem deslocar às lojas para comprar.
No Verão, a TUMG poderia desempenhar um importante papel de apoio ao Turismo, estabelecendo circuitos a partir dos hoteis, com passagens pelas praias, matas, museus, Jasmim, Parques dos Mártires e da Cerca, instalações das Matas no Engenho e Pedreanes, etc.
Com uma rede eficaz de Mini-Autocarrros, a acessibilidade às Zonas Industriais a partir de Parques de Estacionamento, em sistema "Shuttle" (vai/vem), poderia e deveria também ser assegurado.
Se me perguntarem se a actividade da TUMG, sem a componente da gestão das máquinas e viaturas da Câmara e sem os transportes escolares pagos pela Câmara, garante resultados operacionais positivos, a minha resposta é NÃO.
Mas se pararmos um pouco para pensar num esquema de tarifário, tipo passe para utentes, complementado com a venda de Cartôes de Acesso, a adquirir por agentes económicos, nas áreas do comércio e hotelaria e até grandes empresas com instalações nas zonas industriais, talvez se consigam fontes de receita com algum significado, cabendo ao Município cobrir o custo do serviço social que presta, o que, aliás, é o que o PCP passa a vida a exigir das empresas de transportes públicas sob a tutela do Estado.
A continuarmos a percorrer os trilhos que esta Câmara teima em abrir,sem estratégia e sem rumo, estamos a embrenharmos numa selva, que nos vai conduzir a um abismo, em que a queda vai ser muito mais violenta do que um trambolhão acrobático de um qualquer jumento.

2 de Setembro de 2007 3:46:00 PDT

4 comentários:

Brecht à beira do mar disse...

Eu diria que o argumento do mercado cai para burro:
O mercado não faz mal a ninguém onde está, pelo contrário.
Na verdade tem vindo a definhar por falta de investimento para a melhoria das condições. Na prática quer dizer que há muitos muitos anos que não é contemplado com obras de recuperação, até mesmo de manutenção. Depois de ter caído em desgraça é mais fácil deixa-lo de parte para outra solução extremamente atractiva em alguns aspectos que nada tem de ver com a questão de mercado em si.
Houve foi que gastar dinheiro num negócio milionário (que ainda se está para ver quem é que lucrou, na verdade, com tudo isto) que resultou num projecto e obra com erros técnicos graves.

O comércio não está pela hora da morte por causa do mercado mas sim por uma questão de conjuntura e tendência: ir buscar ao hipermercado ou a Leiria o que poderia ser comprado no comércio tradicional da zona do centro (e esta tendência tem dezenas de anos).
Tudo junto levou ao estado actual das coisas.
Penso que o que actualmente a Câmara propõem é uma solução 2 em 1: mercado mais essa componente que menciona: cafés, restaurantes, serviços e por aí fora.
Para inverter a tendência e a conjuntura julgo a estratégia acertada: recuperar o mercado no centro da cidade e transforma-lo num espaço com condições para servir a população, assim como um pólo de atractividade diurna e nocturna e também num ex-libris da cidade (com produtos frescos, genuínos, de qualidade e baratos, num ambiente que pouco a pouco tem tendência a desaparecer - julgo também tratar-se de património local que devemos tentar manter) Há poucos mercados com o tipo de características que o nosso poderá continuar a manter. Ou isso ou a banca do hipermercado que é igual à de todos os hipermercados espalhados no país. Isto, com outra mais valia: uma maior garantia de virmos a ter produtos alimentares da região, nomeadamente os legumes, vegetais e frutas, o que também é essencial para a economia de subsistência que muitos produtores/agricultores praticam. Isto tudo também para dizer que se espera que os preços cobrados pelas bancas não atinjam os valores exorbitantes que a Câmara anterior pedia e que obrigavam muitos dos comerciantes a desistir desta venda.

A TUMG por outro lado anda há dois anos a fazer esses circuitos e tanto quanto sei os autocarros andam vazios. Talvez não andem a fazer os melhores percursos.
Mas uma coisa lhe digo: a fazerem-se não é a ACIMG que os tem que definir. Afinal o que se pretendia era uma rede de serviços de transportes urbanos, não uma sub-rede de transportes para o comércio tradicional.
O que nos leva de novo à questão da TUMG: quando foi fundada alguém se lembrou dos percursos urbanos que deviam se implantados? Alguém se preocupou em fazer estes estudos primeiro para depois saber o que criar, com que meios e para fazer o quê? Se sim porque é que não os colocaram em funcionamento?

Sobre os funcionários bancários e os da Câmara que ocupam os lugares de estacionamento, acho que está na hora de instalar os malditos parquímetros (que neste caso parecem-me ser um mal menor) e limitar o tempo de estacionamento a meia hora ou 45 minutos. Para os funcionários haveria os parques de estacionamento da cerca, gratuitos, que até acabariam por ser uma mais valia: para contrariar o sedentarismo que leva à obesidade, uma caminhada do carro ao local de trabalho e vice-versa é uma bênção. Na há duvida que ainda se estaria a implementar uma medida em prol da saúde da comunidade de funcionários bancários e da câmara.
Quanto àquilo que o PCP defende e aquilo que o Sr. presidente faz, todos sabem que vai um paço de gigante. Já todos percebemos que o Sr. presidente gosta mesmo é que façam o que ele pensa e não aquilo que o próprio partido e ideologia politica defendem (típico mais uma vez dos regimes totalitários). Os transportes públicos no concelho são apenas a ponta do iceberg.

Brecht à beira do mar disse...

nota: os circuitos da TUMG a que me refiro são de verão, pelas praias e museus que duram há 2 anos.

Anónimo disse...

Olhem, vocês que tanto defendem o mercado velho, a resinagem, estão a esquecer um pormenor importante para recuperar o passado:
É que,com essa solução, é preciso também recuperar o Pátio do Barroca, porque aí é que ficava o estacinamento eficaz e divertido da época!
Sem isso fica a obra incompleta esem graça.

Bom Conselheiro disse...

Pois, pois o Pátio do Barroca. Era aí que estacionavam as azêmolas. E agora que tanto se fala nelas, há que pensar onde as ir arrumando...