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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Más Memórias

Algumas notícias, divulgadas na imprensa Regional, dão-nos conta que a Autarquia Marinhense se prepara para proceder à abertura das cantinas das escolas durante o fim-de-semana.
A razão prende-se com a indicação que a autarquia tem de que algumas crianças, as únicas refeições que comem são as fornecidas nas cantinas. “Fenómeno que acontece um pouco por todos o País”.
Durante o fim-de-semana, publiquei alguns posts que remetiam para as nossas ”memórias”.
As nossas memórias não conseguem apagar o passado e muito menos alterá-lo, consequentemente fazem-nos temer o futuro.
36 Anos depois da Madrugada libertadora, ver a recolha de alimentos para os mais carenciados tornados num assunto “noticioso” que preencheu vários minutos em praticamente todas as televisões. Ver notícias de que na nossa terra há crianças, que a únicas refeições que tomam, são as fornecidas pelas escolas. Ler que a nossa autarquia (e não só) vai ter que fornecer refeições ao fim de semana para que estas crianças sejam minimamente alimentadas, faz-me sentir ”vergonha” e não me alivia nada a consciência, dizer que não tenho culpa. Sinto que todos temos. Sinto que passámos a olhar demasiado para o nosso umbigo e deixámo-nos convencer que estava tudo resolvido.
Na minha memória ainda está a existência, algures na Avª 18 de Janeiro, em instalações, presumo, cedidas pela FEIS, um lugar designado por “Sopa dos Pobres”. Esperemos que tantos anos depois de ter encerrado, não a vejamos reabrir com este nome, ou outro parecido.

11 comentários:

flor de jasmim disse...

É uma notícia triste,mas que me dá um certo "conforto" ao saber que se vão tomar medidas para tal, preferia que não houvesse tais necessidades. Seja com o nome "Sopa dos Pobres", ou outro qualquer que lhe queiram dar, não vai deixar de ser dos pobres que infelizmente se vê a aumentar de dia para dia, eu só falo pelo conhecimento que tenho da Marinha Grande, já não por o que se vê e lê na informaçao social, mas todos nós sabemos que tem tendência a aumentar infelizmente.

Beijinho

Luís Coelho disse...

A situação de fome e desemprego estende-se a todo o país.
A Marinha Grande será mais um reflexo expressivo do que por aí vemos e ouvimos.
A culpa...essa é muito mais complicada porque agora todo criticam este último governo mas a situação começou muito antes.
Não defendo ninguém deste ou de outro governo.
A fome fala por sí e por todos.

Anónimo disse...

Numa situação destas não podemos olhar as meios para ajudar quem precisa e são muitos que até à pouco tempo viviam com algum conforto.
Se a situação é exigente do ponto de vista da ajuda,isso não nos pode,impedir de ter sobre o momento uma posição lucida e critica.
E perguntar porque razão hoje já se é pobre trabalhando ?Porque razão existem cada vez mais pobres e numero de cada vez mais ricos aumenta?Porque razão é que se insiste numa politica monetária comandada pelos grandes potentados,que esmagam sistematicamente as economias mais débeis? Então não existem culpados.Sim eles estão cá,e muitas vezes a assobiar para o lado como se os Portugueses não tivessem memória.Uns e outros preparam-se para ocupar em alternativa o poder,insistindo nas mesmas politicas.
Por isso,relevando o melhor que há do 25 de Abril,digo com maior força,25 de Abril,sempre Fascismo nunca mais...

São disse...

Uma vergonha!!!

Como é isto possível?!

Boa semana.

Insana disse...

Esquecer é mais facil que resolver.

bjs
Insana

Anónimo disse...

"Campanha do Banco Alimentar

Banco Alimentar bate recordes

Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram, este fim-de-semana, 3265 toneladas de alimentos, mais 775 toneladas do que no ano passado. O balanço é avançado pela presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, em declarações à Lusa.

A recolha bateu este ano recordes quer de alimentos doados quer de voluntários envolvidos, conseguindo mais 30 por cento de produtos do que em Dezembro de 2009 e somando mais de 30 mil voluntários.

A quantidade recolhida «constitui um recorde absoluto desde que estas campanhas de recolha se efectuam em Portugal», refere o Banco Alimentar em comunicado hoje divulgado, acrescentando que a campanha deste ano «constitui em termos de dimensão uma operação de voluntariado sem qualquer paralelo» em Portugal.

«As quantidades de géneros recolhidos este fim de semana, que, apesar da profunda crise económica que afecta o país, constituem um recorde absoluto, mostram que os cidadãos Portugueses são intrinsecamente generosos e aderem inequivocamente a projectos cujos objectivos compreendem», adianta Isabel Jonet na mesma nota.

Os alimentos serão distribuídos a partir desta semana a mais de 1800 instituições de solidariedade social que os irão entregar a cerca de 280 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confeccionadas.

As contribuições para o Banco Alimentar Contra a Fome vão continuar até 5 de Dezembro, através da disponibilização de cupões-vale de produtos alimentares em várias cadeias de supermercados, sendo as doações auditadas por uma empresa externa especializada".

Portugal Diário

Rogério Pereira disse...

... é o regresso à "Sopa do Sidónio" agora sem ter por justificação os efeitos de qualquer guerra...

Abraço

Lampiona disse...

Culpa,nenhum de nós tem mas infelizmente,é este o país em que vivemos... Já que são poucas as boas decisões tomadas pelo poder local,aplaudamos esta iniciativa e desejemos que possa ajudar realmente alguém. Não esqueçamos que as referidas crianças e jovens são o nosso "futuro"... 1 abraço

Anónimo disse...

Um Pais a andar para trás é o que é...mais 3 anos de Socrates e passamos andar descalços e a comer broa com sardinha, como os nossos infelizes avôs..obrigadinho por estes 15 anos de sucesso ò maçonaria socialista....

Cigano Rico, que já foi pobre disse...

As notícias da nossa terra, envolvendo crianças onde as únicas refeições que deglutam, são as que são consumidas nas escolas, (penso que o município da Marinha Grande foi pioneiro) não me espanta nada. Quando há uns anos fizeram um estudo sobre as refeições nas “nossas” escolas, frequentadas pelas “nossas” crianças, ficaram a sabe que: a maior parte das “nossas” crianças, o unico leite que ingeriam, era o que bebiam na escola, isto é, tomavam o pequeno-almoço, a primeira refeição do dia, na escola!
Julgo que está tudo dito, ou não, porque respeitante à fruta; em cada 35 alunos, 6 comiam fruta em casa!


Presentemente, ler que a nossa autarquia (e não só) vão fornecer refeições ao fim de semana para que as crianças sejam minimamente alimentadas, não me faz sentir ”vergonha”, nem me alivia a consciência, eu continuo a contribuir para que algumas tenham um pouco mais. Não sinto vergonha por isso, agora tenho pena, é das crianças que alguns e algumas vão levar à escola, em boas viaturas TG, e os filhos, fruta e outros… apenas "papam" na escola. É o que temos, vivência e atitude, acima das possibilidades.
E não estou a falar de lcd´s e telélés com visores tácteis, nem vou falar da higiene oral da maioria das nossas criancinhas, mesmo descontando o tal cheque dentista!
Há uns anos, quando visitava uma certa escola, uma ou duas vezes por ano, conforme a logística e as possibilidades, entregava gratuitamente iogurtes, algumas crianças diziam-me: que eram muito bons!, outras: quando é que eu voltava?, sentia-me pequeno, pequenino, eu… e as professoras. Já lá vão mais de 10 anos, ainda não havia: euros 2004, helicópteros, submarinos, tgvs, bpn bpp, pec´s 1,2,3 e se calhar o 4, nem se falava de crise, ou da crise, mas… já havia carências e fome nas “nossas” bem frequentadas escolas.
Por isso, a “Sopa dos Pobres”, junto da FEIS, (depois da galeria, sensivelmente a meio do edifício) que outrora foi um projecto humano e importante, junto dos mais carenciados desta Cidade, não seria desajustado (já existem noutros municípios) ser posto em prática pelo nosso Município e Juntas de Freguesia. Infelizmente a pobreza cresce a níveis assustadores por todos os Países.
Existe muita miséria escondida, por este Portugal a fora, e a Marinha Grande, não é excepção!
Por mim, pode e deve abrir, reabrir com este nome, ou outro nome parecido, é me totalmente indiferente.
Mais vale combatermos a miséria e a fome, do que esconde-la ou manifesta-la através de bandeiras pretas!
Não sei se já constataram, se já observaram, ou já se aperceberam e deram conta, que todos os dias, incluindo os Domingos, existe cada vez mais prostituição diurna nas ruas da nossa cidade, não falando da toxicodependência e das abordagens por eles praticadas.
É disto que eu tenho vergonha, ver seres humanos na Marinha Grande (a minha terra), seres humanos que desistiram, que já não se importam com nada, nem com ninguém e que se vão expondo, vendendo à luz do dia, o resto que têm… o seu corpo.
É desta realidade que tenho vergonha, jamais terei vergonha de colaborar para que alguém deixe de ter fome, e passe um dia com o estômago aconchegado.
Alguns, lembram-se dos pobrezinhos, dos aleijadinhos, dos coitadinhos e dos sem abrigo, apenas e só... na véspera do Natal, porque, no Natal esquecem-se.

Para mim, é Natal todos os dias, espero, que seja todo o executivo camarário a envolver-se nesta causa digna e altruísta, foi para isso que foram eleitos, para estarem ao serviço da população, e neste particular caso, ajudarem aqueles que mais carecem.
Uma causa, que pode não dar votos, mas… dá alegria, esperança e dias melhores a alguém que já nada espera.

Flor do Liz disse...

Este executivo é bem conhecedor deste problemas, e não vai cruzar os braços.
Espero que a oposição não venha dizer, como é costume, que se trata de uma medida demagógica e eleitoralista, como foi no caso da entrega dos manuais escolares e do cheque bebé.