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domingo, 18 de janeiro de 2009

18 de Janeiro - Revista de Imprensa

"PCP reclama o papel principal na revolta da Marinha Grande"


Revolta. 18 de Janeiro de 1934
A celebração do 75.º aniversário da revolta que colocou a Marinha Grande na história dos grandes protestos contra o Estado Novo proporcionou ao Partido Comunista Português (PCP) a oportunidade que os dirigentes mais antigos desejavam: fixar o papel do partido nessa greve geral.

A versão que existe deste levantamento, no caso da Marinha Grande, é pouco clara porque resulta de uma luta de protagonismos entre a central anarco-sindicalista e o PCP ao longo das últimas décadas. De um lado estão os defensores de que o papel principal é dos anarquistas, importância essa que tem vindo a ser reivindicada através de vários posicionamentos escritos e verbais recentes. Do outro lado está o PCP, que afirma uma actuação prioritária num conflito que marcou definitivamente a data.

Esta disputa não é para menos, porque a convocatória de uma greve geral era iniciativa pouco comum à época e na localidade resultou nos assaltos ao posto da GNR, e consequente detenção dos militares, e dos Correios e ao corte das estradas. Situação só possível, no entender do comunista Joaquim Gomes, devido à organização do PCP: "Houve mais de uma centena de prisões e se existir uma dezena deles que não sejam comunistas já são muitos." Ou seja, conclui, sem a organização do PCP aquele facto histórico não se teria verificado.

Joaquim Gomes considera que se justifica nesta data definir para o futuro o que aconteceu no passado porque, diz, "têm saído livros e notícias que são uma fal- sificação e uma deturpação do que foi o 18 de Janeiro. Chega-se até a procurar nos arquivos da PIDE escritos para explicar a revolta".

Segundo o histórico do PCP, apesar de a data nunca ter sido esquecida, o partido demorou demasiado a assumir o seu papel. A razão deve-se, explica, ao facto de não ter assumido logo de início a responsabilidade que teve. "Até aconteceu o secretário-geral Bento Gonçalves (que estava preso na altura) ter considerado uma anarqueirada o que aconteceu no País", acrescenta. "Na Marinha Grande não foi como no resto do País, onde os anarquistas tinham determinada preponderância na oposição política. Aqui, os precedentes do 18 de Janeiro têm origem nas lutas dos trabalhadores que vêm de antes da crise capitalista de 1929", recorda. E não tem dúvidas em afirmar: "É uma história mal contada porque estas acções fizeram com que durante umas horas se tivesse derrotado totalmente o fascismo, e os dirigentes e sindicalistas presos - José Gregório, António Guerra, os irmãos Baridó - eram do PCP, e lideraram a revolta".

As comemorações do 18 de Janeiro de 1934 contam com o secretário-geral do PCP, que, na sexta-feira, afirmou que "os objectivos centrais que levaram à revolta tinham a ver com os salários, as condições de vida e trabalho, com os direitos, a liberdade e a democracia". Jerónimo de Sousa considerou também que "a questão fundamental que se colocou em 1934 é a que se coloca no ano de 2009".


(surripiado do DN)

11 comentários:

Anónimo disse...

MENTIRA !!!!!!!!!

Anónimo disse...

Quem diz só "mentira" é fraquito na sua intelectualidade. Tem com certeza um cerebro fraco que nada mais sabe dizer o que acabou de pronunciar. É mentira porquê?

Anónimo disse...

Ai se alguns defuntos podessem falar!!!

Anónimo disse...

É o próprio texto que o confirma.
O PCP demorou anos a reconsiderar a sua posição e Bento Gonçalves chamou-lhe "Anarqueirada".
Isto é um pouco como o 25 de Novembro. Se tivesse tido sucesso, decorridos estes anos, teríamos o PCP areivindicar para si o papel fundamental no movimento que quiz repor o "espírito do 25 de Abril".
É típico destes camaradas.

Anacleto Fontaínhas disse...

Falemos a sério.
Eu compreendo que o PCP diga e rediga que o 18 de Janeiro foi obra sua. Nem poderia dizer o contrário uma vez que se assume como um partido defensor do proletariado - da classe operária, dos camponeses, do pequeno empresariado, etc., etc.(já conhecemos a fraseologia!).
Compreendo mas não aceito assim tão linearmente, pois eu, que já conto com alguns anos de vida, registo conversas que ouvi a muito boa gente afirmando que a parte de leão no movimento do 18 de Janeiro pertenceu aos anarquistas!...
E, segundo me é dado observar, estes, os anarquistas, não tinham para com os comunistas (em certa medida seus adversários) a melhor das ideias! Eles lá saberiam por quê...
Sem desprimor para a influência de pessoas então ligadas ao movimento comunista, na Revolta do 18 de Janeiro, o certo é que nunca ficaram explicadas certas dissenções e clivagens que se verificaram então.
Mas isso é história que, apesar de ser ainda, e de algum modo, recente, era muito interessante ser devidamente analisada por historiadores abalizados e equidistantes das paixões que nesta nossa terra continuam a subsistir e a deixar marcas que, a continuarem, em nada resolvem os problemas de que sofremos.

Mas, à margem de tudo isto, é de salientar que já lá vão 75 anos sobre esse movimento que, saliente-se, não teve exclusividade marinhense mas que acabou por ter nestas terras vidreiras os acontecimentos mais relevantes, ampliados pela senha do regime totalitário do ‘botas de Santa Comba’.
O que sabemos é que à conta desse grito de revolta que aqui foi solto, há 75 ANOS, por gargantas oprimidas e famintas (e que me interessa a mim e à maioria dos que hoje aqui vivem se essas gargantas eram de comunistas, de anarquistas, de socialistas – que também os havia – ou de republicanos?), o regime de opressão que então se abatia sobre Portugal apressou-se, com a ajuda de uma impressa domesticada e nada séria, a tecer uma teia de mentiras e de difamações que se abateram, qual anátema, sobre esta terra de gente boa e nobre que viu o seu nome atirado à lama e à ignomínia. Todos nos recordamos (ou deveríamos recordar) disso!

Apetece-me dizer aos comunistas que descansem que ninguém lhes roubará a parte a que têm direito nessa participação que, hoje, a todos honra. Mas desiludam-se se pensam que esses feitos do passado tudo resolvem nos dias de hoje.
Meus amigos, hoje as pessoas querem que, não se perdendo de vista este honroso marco histórico, se encarem as realidades actuais desta cidade e deste concelho com determinação e espírito inovador, de forma a sairmos da profunda e inquietante letargia em que estamos caídos!

Gostei muito destas condignas comemorações dos 75 ANOS do 18 de Janeiro que culminaram com o magnífico conserto da Banda da Força Aérea. Um espectáculo digno da efeméride.

E, muito sinceramente, VIVA o 18 de Janeiro! Uma homenagem muitos sincera a esses homens (e não esqueçamos as mulheres, as suas sofredoras companheiras que acabariam por suportar a parte de leão dos duros tempos que se seguiram!) que fizeram essa revolução quase quimérica!

Que me interessa se os seus ideais eram anarquista, comunistas ou outra coisa qualquer. Eram homens que tinha um sonho: Serem livres e terem mais pão para os filhos!!

Folha Seca disse...

Felicito o Anacleto Fontainhas pela clareza do seu escrito.

Sobre o depoimento de Joaquim Gomes surripiado ao JN queria fazer um reparo em nome da nossa memória colectiva... Porque se continua a excluir a participação do Manuel Domingues(Manuel das Almoínhas) Não foi um dos dirigentes do 18 de Janeiro? não era á altura um dos principais membros do PCP? O Joaquim Gomes;Sabe. Sabe mas não diz...

Anónimo disse...

É mentira porque o PCP pura e simplesmente ainda não existia.

Se soubesse um pouco de História ..... (enfim, intelectuais de Esquerda ... alguns, nem ler sabem)

Anónimo disse...

vai ao médico!!!!!!!!! o demente!

Anónimo disse...

1921 diz-te alguma coisa?

Acintoso disse...

Tenho de dar razão a estes últimos anónimos (eles são tantos e com tão pouca imaginação que nem um 'nick name' são capazes de arranjar!...).
Mas quem é que disse ao anónimo de 1/19 9:47PM que o PCP não existia à data do 18 de Janeiro de 1934? Quem não sabe o que diz fará melhor figura se ficar quedo e mudo.

anarcabe disse...

O 18 de Janeiro de 1934 em Coimbra
Posted by Irene Pimentel under História
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Segundo Fátima Patriarca, não faz sentido referir o 18 de Janeiro exclusivamente na Marinha Grande, como o fizeram ao longo dos anos, tanto a versão oficial do governo como a versão do PCP, ao destacarem quase unicamente o que se passou nessa vila, os vidreiros e a liderança comunista. Ao considerar que se deve «recolocar» o 18 de Janeiro na sua dimensão histórica exacta enquanto «movimento operário insurreccional, que visava a reconquista das liberdades sindicais, a par do derrube do regime do Estado Novo», esta autora mostra que o movimento operário insurreccional também teve expressão noutras localidades para além da Marinha Grande - em particular, em Lisboa, Coimbra, Leiria, Barreiro, Almada, Martingança, Silves, Sines, Vila Boim (Elvas), Algoz-Tunes-Funcheira.

Por outro lado, o movimento gerou-se e desenvolveu-se com o concurso das duas principais correntes sindicais - a anarquista e a comunista - e com o envolvimento dos sindicalistas socialistas (Federação das Associações Operárias) e da corrente sindical autónoma (Comité das Organizações Sindicais Autónomas). Além disso, demonstrou que a greve geral se deveria desencadear em paralelo e em simultâneo com uma revolta militar e política «reviralhista» que não chegou a sair à rua, devido à repressão policial que se desencadeou logo em Novembro de 1933.

Faz assim sentido referir, entre outros casos, o que aconteceu em Coimbra, onde rebentaram duas bombas na Central Eléctrica dos Serviços Municipalizados, colocadas por indivíduos ligados à CGT anarquista, englobados no Comité Sindicalista Revolucionário (CSR), na noite de 17 para 18 de Janeiro de 1934. Em Coimbra, o plano envolveria a destruição da linha-férrea do Choupal e a demolição de um posto de transformação de energia eléctrica no Lindoso, em Anadia, através de seis bombas, enviadas para Coimbra e escondidas na carvoaria de Manuel dos Santos.

Para a acção de Anadia, Raul Ferreira Galinha deslocou-se a Coimbra para receber duas bombas de Abílio da Encarnação Pereira, manipulador de massas da Fábrica Triunfo de Coimbra e membro da comissão administrativa do Sindicato dos Operários de Massas e Bolachas, que tinha guardado em sua casa o material explosivo. De regresso àquela vila, Raul Galinha entregara as bombas a Augusto Duarte Reis, mas, ao deslocar-se de novo a Coimbra, no dia 17 de Janeiro, foi preso, denunciado por telefone à PSP dessa cidade pelo administrador do Concelho de Anadia. Este informara a polícia da detenção de um motorista de praça, Edmundo, que disse ter conduzido um indivíduo a uma rua próxima do Palácio de Justiça de Coimbra, onde este tinha recebido dois embrulhos de Abílio da Encarnação Pereira.

Entretanto, duas horas antes da prisão de Raul Galinha, Abílio da Encarnação Pereira tinha ido buscar ao estabelecimento de Manuel dos Santos, em Coimbra, as bombas de rastilho destinadas à sabotagem da Central Eléctrica dessa cidade. Pelas 22 horas desse dia, teria havido uma concentração de grevistas ligados ao CSR no Alto de Santa Clara para distribuição de proclamações de greve e, pela meia-noite, alguns destes, entre os quais se contou o barbeiro Arnaldo Simões Januário que anteriormente tinha ido buscar a Lisboa dez bombas de choque, deslocaram-se a casa de João Gomes Jacinto. Este entregou um revolver a Bernardo Casaleiro Pratas, operário dos Serviços Municipalizados de Coimbra que, juntamente com o carpinteiro José Alexandre e o pedreiro José Ventura Paixão, sabotaram os transformadores de corrente da União Eléctrica Portuguesa, colocando duas bombas com cerca de nove quilos, que rebentaram às 4,30 horas da madrugada de dia 18 de Janeiro, deixando Coimbra às escuras.

A PSP de Coimbra acabaria por deter cerca de 80 pessoas, entre as quais se contaram 18 indivíduos do Comité Sindicalista Revolucionário (CSR), na sua maioria ligados à (CGT) anarquista, por participação directa no movimento de 18 de Janeiro de 1934. Entre os presos, contaram-se todos os participantes já referidos, bem como, de Anadia, Pedro Ferrer Catarino, e de Coimbra, o padeiro Manuel Rodrigues da Cunha Maia, presidente do Sindicato dos Manipuladores de Pão de Coimbra, bem como os militantes da CGT Joaquim Roque, Joaquim, Duarte e Júlio Ferreira, José Libório do Nascimento, Manuel dos Santos, José Fernandes Ferreira, e os sapateiros António Ferreira, Armando Nogueira de Figueiredo e José de Almeida. Em 18 de Dezembro de 1933, tinham entretanto sido detidos Cunha Melo, ligado aos anarquistas, bem como José Augusto Frutuoso e Álvaro Pinto Teixeira, do PCP.

As penas a que seriam sentenciados os principais implicados nos acontecimentos em Coimbra, pelo TMT instalado no forte da Trafaria, sob a presidência do coronel Costa Macedo, assessorado pelo coronel Mouzinho de Albuquerque, seriam pesadíssimas. Condenado a 10 anos, Raul Galinha cumpriria a pena no forte de Angra do Heroísmo, até ser libertado em 1944, embora ficando em residência fixa nessa cidade açoriana, enquanto Abílio da Encarnação Pereira apenas seria solto em Abril de 1949. José Alexandre foi condenado a 18 anos, enquanto Bernardo Pratas e Arnaldo Januário foram sentenciados a 20 anos. Enviado para o Tarrafal, este último morreria nesse campo de concentração em 27 de Março de 1938.


Fonte e bibliografia:
- Arquivo Histórico Militar, proc 441/74, Fernando Araújo Gouveia, volume II, fls. 553-555.
- Fátima Patriarca, Sindicatos contra Salazar, A Revolta do 18 de Janeiro de 1934, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2000, pp. 275-303.
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Fui buscar isto a outro blogue, mas é também para desmistificar algumas ideias preconcebidas.