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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Revista de Imprensa

Marinha Grande:

Empresa Jasmim encerrou produção e não paga salário de junho 02/07/2010 10:58

A Jasmim Glass Studio, empresa de fabrico de vidro à mão, na Marinha Grande, encerrou a sua atividade, tendo já desligado o forno e 14 funcionários suspenderam os contratos, tendo sido informados que não vão receber o salário de junho.A loja da Jasmim Glass Studio tem as portas fechadas desde o início da semana. Centenas de peças estão assim sem possibilidade de serem vendidas. A empresa encerrou a produção de vidro, pondo fim ao fabrico de peças de vidro à mão na Marinha Grande. O forno foi desligado no fim de semana e 14 pessoas, nove das quais vidreiros, suspenderam os seus contratos com a empresa por terem ordenados em atraso.O coordenador da zona Centro e Sul do Sindicato Democrático da Energia, Química, Têxtil e Indústrias Diversas (Sindeq), José Pedro Adrião, revelou à agência Lusa que os trabalhadores “só receberam 40 por cento do salário do mês de maio” e já foram informados por escrito pela empresa que deu a conhecer “não ter possibilidades de pagar o mês de junho”. “A empresa mandou desligar o forno. Se o forno já parou nada mais resta à empresa”, referiu José Pedro Adrião. A loja, na Marinha Grande, também encerrou as portas com a indicação aos clientes de que está fechada “para remodelação”. Para já, segundo José Pedro Adrião, a empresa não quer pedir a insolvência, pelo que não é possível acionar o fundo de garantia salarial.Os funcionários explicaram que a situação da Jasmim se agravou em janeiro. Em dezembro, o subsídio de Natal já foi “pago em duas prestações”.“Esta empresa era o ex-libris da cristalaria manual da Marinha Grande. Com o encerramento da Jasmim terminou a cristalaria manual”, salientou José Pedro Adrião.O dirigente sindical afiança que os vidreiros desta empresa eram os “melhores artistas” do vidro e alerta para o problema que pode surgir com o a criação de pequenos barracões “sem condições de higiene e segurança”, onde será produzido o vidro.Contactado pela agência Lusa, um dos administradores da Jasmim, José Sucena, recusou prestar declarações sobre a situação da empresa, afirmando apenas que está em “processo de acordo” neste momento.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***Lusa

5 comentários:

Fê-blue bird disse...

Mais desempregados, mais famílias afectadas, mais vidas alteradas profundamente, até quando?

Bjs

Anónimo disse...

Mais uma cavadela na sepultura onde vão enterrar para sempre a produção de vidro manual. Inevitavelmente os mestres vidreiros vão desparecer e com eles uma arte centenária que nos enchia de orgulho. Mais um dia triste na nossa história, face à impassividade de uma terra que não quer e não soube proteger o seu maior património. Todos somos responsáveis.

Anónimo disse...

Todos? esperem ai que eu não sou do PC nem do PS ..não tenho nada a ver com isso !!!!

Acintoso disse...

Concordo que todos somos responsáveis pois isto não é uma questão de 'sportinguismo' ou 'benfiquismo'. É uma questão de cidadania.
A Marinha Grande precisa que todos a entendamos e que a apoiemos.
Uma cidade, tal como uma pessoa, deve ser amparada quando as coisas lhe correm menos bem.
Parafraseando o tal presidente Norte Americano, é caso para se deixar a ideia: 'Devemos perguntar-nos o que já fizemos (ou pretendemos fazer) pela nossa cidade e não interrogá-la sobre o que ela já fez por nós'!

E isto também é verdade se, em vez de falarmos da Marinha Grande, falarmos de Portugal!

Anónimo disse...

Perante mais esta notícia, que nos indica o encerramento da JASMIM, não posso deixar de fazer uma reflexão, séria, isenta deixando de lado apartes e acusações gratuitas que a nada levam, nem soluções criam.
Num dos bitaites, li “VIDRO DE MURANO”, pois aí começa o problema, a tradição e história vidreira da Marinha Grande, nasce para COPIAR esse foi o fundamento da criação da fábrica pelo Marquês de Pombal, aliás veio com o Stephens os catálogos das peças mais comercializadas na Inglaterra para serem feitas cá a mais baixo custo. Algo que nunca se alterou, nunca a Marinha Grande se afirmou no Mercado Global com algo que nos distinguisse de outros “vidros”.
Lamentavelmente, todos os que tentaram em vão contribuir para uma mudança de rumo foram ignorados, e colocados com títulos que seguramente desmotivaram e impediram que essa mudança fosse feita, mesmo que tardiamente fosse feita.
Naturalmente que o Crisform existe, naturalmente que todas as outras fábricas enumeradas fecharam, e se a CMMG não tem de ter uma postura de reabilitação de unidades fabris, é também verdade que tem na sua mão poderes que bem utilizados poderiam conduzir a uma visão da industria bem diferente da que existe hoje. Exemplo, ainda na passada bienal das Artes, o prémio que foi entregue ao distinguido – Guilherme Correia, foi uma salva de prata!!!!! Comentários? Nem os faço
Agora, que todos choram o encerramento de mais uma fábrica, é tempo de perguntar a quantas peças compraram da Jasmim? Quantas peças compraram da Stephens? Poderia passar agora a enumerar todas as fábricas que já não existem……
Falam-se do reconhecimento da Arte? Como? Se os próprios naturais a não reconhecem?
Caros Marinhenses, é dura a VERDADE, e o Sr. Henrique Neto falou a verdade, pura, dura e crua, estamos em fim de ciclo, e abandonando guerras político-partidárias, a verdade é só essa. Mais grave é não se fazer a leitura a 15 anos, pois o fim de ciclo não é hoje, nem termina hoje com a Jasmim….. para mal da nossa cidade.
Não sou nem profecta da desgraça, nem Velho do Restelo, mas também já não acredito em conversas meigas, doces e suaves, tão presentes nos nossos dias de hoje pelo próprio PM, agora, se quiserem tratar dos assuntos de forma FRIA, DIRECTA, há situações a corrigir, medidas a tomar e tentar manter o que existe, e quem sabe recuperar algo do perdido.
Estranho para mim, é que certos Senhores, que em tempos idos tanto apareciam, tanto falaram, parece que quando o “barco” começou fundar, foram os primeiros a fugir…….Não seria tempo de os chamar? E porque não os RESPONSABILIZAR por tudo o que se fez que só serviu a eles próprios e para acelerar o fim da industria vidreira – Cristalaria.
Não vou tocar no tema SINDICATO, por ser demasiado óbvio e porque as responsabilidades que também tem, são conhecidas de todos, mas seria também interessante ver a posição e a solução apontada para a inversão do rumo que se leva! Embora possamos desde já imaginar as posições que serão defendidas.
Será que agora teremos tempo, para discutir de forma séria o tema?
Será que existe capacidade na sociedade civil de apresentar soluções e alternativas? Realistas, viáveis com um único objectivo?
Será que por uma vez, a Marinha Grande e as suas gentes sabem dar um exemplo único no país? Recuperar uma industria, uma Arte?
Quero acreditar que saberíamos, não sei que querem que saibamos dar esse exemplo!
Deixo a provocação!