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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Carta Aberta a João Barros Duarte

Caro Senhor João Barros Duarte

Sei que nem sempre temos trocado palavras amistosas.
Sei que não alimentamos sentimentos recíprocos de estima e consideração pessoal.
Sei que temos divergências de pensamento, de filosofia de vida, de olhar para a realidade social do nosso mundo, do nosso país e do nosso Concelho.
Sei que propugnamos por soluções díspares para os problemas mais prementes de toda esta complexa realidade social, particularmente no nosso Concelho.
Mas...
Tenho o Senhor por pessoa de Bem.
Parto do principio de que todos os políticos que se apresentam para servir a Comunidade nesta árdua tarefa, o fazem imbuidos de um espírito de altruismo e abnegação própria em favor dos outros.
Tenho de si essa convicção. De que não se candidatou senão para servir os melhores interesses do Municipio, que para si são aqueles que a sua própria formação socio-política lhe impõe, e podemos por isso divergir sobre quais são realmente esses melhores interesses.
No entanto, nem sempre, nestes dois anos, o Senhor foi capaz de nos mostrar com total clareza a presença desse objectivo na sua acção. A verdade é que não lhe vi nunca, como nunca o escondi, nem lhe vejo neste momento, a capacidade para efectivamente servir da melhor maneira os superiores interesses do Concelho. Mas essa é apenas uma opinião minha e, verdade das verdades, o facto é que foi o Senhor que ganhou as eleições de 9 de Outubro de 2005 (por muito que digam que foi a CDU todos sabemos e eles - os seus camaradas - também sabem que esta foi uma vitória pessoal, sua!). Não concordei, manifestei em tempo oportuno essas minhas divergências quanto ao voto popular, 'profetizei' tempos dificeis (e não me enganei! Antes tivesse...), mas... em Democracia ganha de facto quem tem mais votos!
Reconhecer as suas limitações, a fragilidade do seu governo e a mediocridade da sua intervenção na elevação da vida sócio-politico-económica do Concelho não significa que pactue com atitudes covardes e anti-democráticas como aquelas que o seu Partido tem assumido publicamente.
O que lhe fizeram foi do mais baixo que em política se pode fazer. Não dignifica o Partido. Não dignifica a Política. Não dignifica a Democracia. Não dignifica o Concelho. E é um claro desrespeito pelo Povo, pelo seu Voto, pela sua soberana Vontade.
Por isso, aplaudo publicamente a sua não conformação com factos consumados. A sua atitude em não acatar uma 'ordem' superior de um Comité que põe e dispõe consoante os interesses particulares dos seus membros, veio mostrar que não há Partido algum que possa manipular os resultados eleitorais (não será por isso que a Constituição da Republica lhe confere o Direito de permenecer em exercício de Mandato mesmo contra a vontade do Partido pelo qual foi eleito?), colocando e substituindo Presidentes, consoante estes melhor ou pior defendem, não os interesses do Concelho, dos Munícipes, mas do próprio Partido. Porque é o que está em questão: os superiores interesses do Partido, ou de alguns dentro do Partido.
A sua permanência no exercício do Mandato que o Povo lhe confiou, por voto directo, em 2005, é hoje uma exigência de ética política que se lhe impõe, mesmo sabendo que essa afronta ao seu Partido poderá vir a custar o sacrificio do seu governo, pela demissão dos vereadores seus camaradas e vereadores da oposição. Mas, a sua não-renúncia, com a mais que provável queda do seu executivo, é ao mesmo tempo o único caminho que garante que sempre, e acima de tudo, é ao Povo que compete tomar a decisão sobre quem quer a liderar os seus destinos.
Renunciar ao seu cargo, neste momento, é agir em favor do Partido. É agir contra a defesa dos interesses superiores do Concelho. É colocar o Partido acima dos seus Munícipes, do Munícipio que jurou servir e defender...
Não renunciar é a única atitude que poderá restituir-lhe alguma da dignidade perdida, que poderá dar-lhe a oportunidade de sair dos Paços do Concelho amaldiçoado pelos seus camaradas, mas honrado pelos seus munícipes que saberão ver no seu gesto a atitude de altruísmo e abnegação que se espera de um verdadeiro político a favor de um Bem maior: a defesa da Democracia, da Liberdade e do Direito que o Povo tem a escolher e a decidir sobre o seu futuro.

Senhor João Barros Duarte: NÃO RENUNCIE.
Se alguém deve ter vergonha de fazer má política e ir embora são aqueles que nestas ultimas semanas colocaram o Município pelas ruas da amargura...
Mostre-nos que acima de si mesmo, acima do seu Partido... está a MARINHA GRANDE!
Dê-nos a possibilidade de sermos nós a escolher, pelo voto, o nosso próprio futuro!

Porque...
A Marinha Grande merece mais e melhor!

Nélson José Nunes Araújo
Um seu munícipe!

17 comentários:

ExCura Araújo disse...

No caso do JBD se deixar vencer pelos seus Camaradas... e tudo se encaminhar para continuar na mesma (Deus nos livre e guarde!!):
«Do PS e do PSD, como verdadeiros partidos da Democracia em Portugal, só se espera que na Marinha Grande tenham a coragem para defender a Dignidade do Concelho perante tamanha falta de respeito por parte dos Comunistas... DEMITAM-SE!! A queda da Assembleia Municipal por demissão da maioria PS/PSD dar-nos-á o que merecemos: o Direito de Voto!»

Anónimo disse...

É preciso não ter vergonha, falaram mal do homem e agora porque desejavam poleiro até choram.

Anónimo disse...

Nunca menosprezem quem apenas deseja o melhor para o concelho.

Anacrónico disse...

Parabéns ExCura Araújo. Eu gostaria de ter escrito esta carta aberta!
O homem pode até renunciar, pois a máquina trituradora que é toda a estrutura do PCP deve estar a fazer-lhe a vida insuportável.
Mas de uma coisa pode o partido comunista estar certo: nesta terra todos ficaram a ter ideias muito mais claras sobre as pessoas que querem dirigir-lhes os destinos!
É notória a dificuldade que os comunistas têm em aceitar que a Marinha Grande há muitos anos já que deixou de ser um feudo seu.

A Marinha Grande merece, de facto, muito mais e melhor!

Anónimo disse...

Pensava que o ex-Cura se tinha passado para os "Independentes" mas afinal é o porta-voz (disfarçado, mas pouco) do PS .... enfim , a verdade é como o azeite. A continuar assim ainda vai pedir ao Sr. Bispo para o deixar voltar à Curia.

Anónimo disse...

Estes Suchalistas e supostos Independentes (anónimos ou não) cada vez dão mais vontade de rir. Ainda não se ouviu uma palavra do Barbas a dizer que não tinha combinado com os seus Camaradas a renúncia. Que não é ele o TRAIDOR. Mas, tanto aqui, sob a capa do anonimato e da "Independencia, como nos comunicados Oficiais o PS insiste na teoria da Cabala. Uma MENTIRA, por ser muito repetida, não passa a ser VERDADE. Eleições, só se ele não renunciar.

Anónimo disse...

Se querem "apertar" com o Prof. Brita, perguntem-lhe quem é que o responsável pelo disparate que é o Mercado Medieval.
Se a responsabilidade é dele, RUA. Se não é, corra com o responsável. Só assim ganha legitimidade para passar a ser o 1º.

Anónimo disse...

O problema não é o mercado velho, nem o novo, nem o abarracado, a crise na cambra só tem um nome LECLERC/ACM, e as negociatas que estão por detrás...
O JBD cedo se apercebeu e não cedeu. Vamos ver se com tanta pressão que lhe estão a fazer ele vai ceder...
Eu acho que não...o homem é de fibra...
O Povo diz e com razão "Morra homem mas fique fama"
Neste caso acho que o JBD vai subir mto na consideração dos Marinhenses...vai ficar até ao fim, não vai ceder a nada nem a ninguem mas sim à sua própria consciência de cidadão honrado... Pode vir a cair mas "CAI DE PÉ CPMO AS ÁRVORES"

confusio disse...

- Se o cura agora é ex significa que RENUNCIOU.
- Se aconselha o presidente da Câmara a NÃO RENUNCIAR
Cumpre-se o ditado: bem prega frei Tomás... (ou ex frei tomás?)

Wolverine disse...

Amigo anacrónico, acha mesmo que a população não esquece? Até poderá acontecer que, caso haja eleições intercalares, a população não vote no PC, mas infelizmente o povo tem memória curta e, tenho para mim, que daqui por 4 ou 8 anos ainda nos arriscamos a ter um "Sôr Monteiro" como presidente da CMMG. É só uma questão de oferecer mais esferográficas e aventais que os outros... E se esse tal negócio do ACM/LeClerc se concretizar sob a égide do actual executivo, vai haver bom orçamento para esferográficas...

Anónimo disse...

Muitas esferográficas e muitas mais coisas, vai ser uma farturinha de 250 mil coisas...

Anónimo disse...

Depois de tanto criticar o homem, agora vem defende-lo?! Porque? Será que o Seu PS não estava preparado para eleições intercalares?? Tanto provocaram e agora querem o homem no poder a todo o custo?
Porque será?
Jovem ex-cura é melhor ir tentar pregar para outra freguesia, pois aquim o Sr. Bispo nunca o vai colocar!!

Anónimo disse...

Aí está um texto que eu próprio subscreveria.

Um Marinhanese da Vieira

Anónimo disse...

Olha os da Vieira são Marinhaneses!!!
Por isso se diz que da Vieira nem bom Presidente nem bons casamentos!!
Ass.
Gato Fedurolas.

Anónimo disse...

O problema da Câmara da Marinha Grande, não desaparecerá com ou sem eleições. Infelizmente em Portugal, assistimos a um poder local feito de "favores", por vezes partidários, outras vezes familiares ou apenas por vantagem financeira, qualquer um deles igualmente desprezível.O que é certo é que todos fingem não perceber o que efectivamente se passa...

Anónimo disse...

Ó anónimo das 11:21 pelas suas palavras parece que não é muito amigo da Democracia. Já pensou que é através do voto que essas coisas podem mudar ??

Na MG só não muda porque as pessoas não querem. Que me lembre nunca foram só 2 Partidos a sufrágio.

Anónimo disse...

Só muda o executivo...infelizmente.