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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Teria Saramago razão?

O nosso amigo Rogério Pereira, no seu blogue “Conversa Avinagrada” Mantêm (e muito bem) o vídeo que aqui reproduzo. Para além de desenvolver uma excelente, oportuna e criativa divulgação da obra de José Saramago.
Muitos de nós conhecíamos 2 ou 3 livros de José Saramago e sabíamos que era o único Nobel da literatura de nacionalidade Portuguesa. Muitos de nós, após a sua morte descobrimos que era muito mais do que isso. Muitos de nós vamos continuar a descobrir a intensa obra de José Saramago, não só no campo da escrita, mas na vasta obra absorvendo os variadíssimos temas que nos legou.

Ao dar uma volta pelas principais notícias do dia encontrei a confirmação de que os orçamentos dos Países do Euro vão passar a ter que ter visto prévio, duma coisa que se chama Ecofin, que perdoem-me a ignorância não sei bem o que é. O que sei é que nunca votei para Ecofin nenhum.
Seria a esta a este tipo de “organismos” que Saramago se referia?

10 comentários:

Fê-blue bird disse...

Ouvir e ler Saramago é sempre uma constante descoberta.
Nunca me canso de o fazer.
Faz-nos falta, muita falta.

Beijinhos

Barão Vermelho disse...

Segundo Karl Marx e vários outros pensadores como Ricardo e Proudhon, a luta de classes seria a força motriz por trás das grandes revoluções na história. Ela teria começado com a criação da propriedade privada dos meios de produção. A partir daí, a sociedade passou a ser dividida entre proprietários (burguesia) e trabalhadores (proletariado),ou seja, possuidores dos meios de produção e possuidores unicamente de sua força de trabalho. Na sociedade capitalista a burguesia se apodera da mercadoria produzida pela classe do proletariado, e ao produtor dessa mercadoria sobra apenas um salário que é pago de acordo apenas com o valor necessário para a sobrevivência desse. Os trabalhadores são forçados a vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que produzem, enquanto os proprietários se apoderam do restante. Outra característica importante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia. A mais-valia consiste basicamente dessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram da classe do proletariado. Essa porcentagem pode ser atingida, por exemplo, aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário. A luta de classes, segundo Karl Marx, só acabará com a implantação do regime comunista, onde esse conflito não terá como existir pois não existirão mais classes sociais. Até os tempos atuais o comunismo ainda não foi posto em prática em nenhuma região do mundo, apesar do socialismo, que seria como uma fase de transição do capitalismo para o comunismo, já ter reinado em diversos países. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganização descentralizada em moldes federativos anarquistas.

Apesar de toda a história da humanidade, segundo Karl Marx, ter sido a história da luta de classes, a sociedade original não possuía divisões sociais. Isso se deveria ao fato de que, nesse estágio das forças produtivas sociais, não havia praticamente excedente. Todos os membros da sociedade eram por isso obrigados a participar do processo produtivo, de modo que era impossível a formação de uma hierarquia que diferenciasse as pessoas dessa sociedade. Uma das primeiras formas de hierarquização dos membros foi a divisão homem/mulher, quando os homens começaram a explorar as mulheres. A luta de classes origina-se, no entanto, no momento em que a sociedade passa a ser composta de diferentes castas.

Essa divisão dos membros em classes foi possibilitada quando as forças produtivas atingiram um certo nível de produtividade, onde o excedente já promovia maior segurança à sociedade em relação às suas necessidades. Mas, apesar de garantir uma proteção em tempos escassos, por exemplo, o excedente abriu a possibilidade do jogo político. O controle sobre o excedente se desenvolve em conjunto com a formação de uma minoria que ganha assim poder sobre todos outros membros da sociedade. Dessa maneira origina-se uma diferenciação quanto à tarefa social de cada membro. Entre as diversas classes que podem se formar, estão sempre presente as classes dos senhores (não-trabalhadores) e a classe trabalhadora.

Com o desenvolvimento das forças produtivas, a devida classe dominante (diferente para cada período histórico) é posta em questão. As classes de baixo reconhecem que a regência da classe exploradora torna-se desnecessária para a continuação do desenvolvimento técnico, enquanto esta tenta, por meios oficiais, manter seu poder. Nessas épocas de desacordo entre as relações sociais de produção vigentes e o patamar técnico dos meios de produção, a probabilidade de uma revolução tende a ser maior. A antiga classe exploradora é, assim, deposta, e uma nova entra em seu lugar. Dessa maneira, a história da sociedade humana é a história de classes dominantes, uma após a outra. O Capitalismo privilegia uma sociedade dividida em classes, e simplifica a luta de classes ao separar toda a sociedade em apenas duas classes; a dominadora e a dominada.

Anónimo disse...

Ó Sr. Barão Vermelho(será o do Ferrari?)

é de bom tom, quando se publica um texto de outrem, assinalar a fonte.
Espero que não ponha um processo ao largo das calhandreiras, por o estar a acusar de plágio...

Isa GT disse...

Quando entrámos para a U.E. só não viu quem não quis porque a soberania ia estar em causa... e a troco de dinheiro.
Quando compramos uma casa e estamos em dívida ao Banco, a casa não é nossa e se não pagarmos... o Banco a leva.
O dinheiro entrou a rodos e em vez de ser aplicado na economia, todos nós sabemos que muiiiiito fugiu para onde não devia, bolsos e esquemas a perder de vista e agora? Agora esse dinheiro não produziu, nem criou nada, para pagar as dívidas e estamos com uma mão à frente e outra atrás, com a corda na garganta, juros de juros para pagar e, acabámos por empenhar os anéis... a nossa liberdade porque, se eles fecharem a torneira, o Estado não tem dinheiro para pensões nem ordenados e muito mais...até para a comida porque nem isso produzimos.
Podemos "agradecer" aos que nos governaram (desgovernaram) nos últimos 36 anos, o estar, agora, entre a espada e a parede, sem poder dizer não a Bruxelas ou melhor, à Alemanha que é a que mais dinheiro abancou.
Mas era preciso ser muito ingénuo para acreditar que nunca chegaria o dia em que a mama ia secar!

Bjos

Rogério Pereira disse...

Isso!
Discuta-se a Democracia
é saudável
e não faz azia...
mas acho que alargar muito
a base da discussão
acaba-se por se causar
alguma confusão!

(o Marxismo não se limita a explicar a génese do capitalismo e aluta de classes... ele ajuda a pensar e a compreender a vida!)

Abraço

Anónimo disse...

Este blogue transformou-se num ninho de víburas e de comunistas ressabiados.
Talvez o melhor era fecharem as portas e dedicarem-se a fazer qualquer coisa de útil em vez de difamarem e de dizerem mal. E depois admiram-se de lhes porem processos.

Anónimo disse...

Se a memória me não falha, este comentário já é repetente. Ó homem se a sua imaginação não dá para mais, ao menos escreva vibora como deve ser.

Luís Coelho disse...

Ler e estudar Saramago ajuda-nos a entender muitas situações.
Pode-se gostar do seu pensamento ou não mas será muito difícil ficar indiferente depois de o ler e estudar.

folha seca disse...

Meus caros

Ceio que todos já tinhamos percebido que gradualmente fomos perdendo a nossa capacidade de decisão, para não dizer soberania.
A questão do visto prévio do tal Ecofin, motivou este post.
Talvez um dia qualquer,voltemos a mostrar que ainda mandamos qualquer coisa, com um qualquer Durão Barroso em bicos de pés para ficar na fotografia ao lado de uns quaiqueres Bush, Aznar e Tony Blair, se os EUA precisarem de usar a Base das Lages, para apoío "logistico" a uma qualquer invasão...

Ouvir aquela intervenção de Saramago, mostra que a Democracia em que vivemos está muita limitada.
Há que a usar, para a reforçar

Lua Nova disse...

No blog de Rogério Pereira "ouvi" falar do Largo das Calhandreiras. Hoje, havia um link lá e vim para conhecer. Desnecessário dizer que gostei muito e que as discussões que aqui acontecem são muito interessantes. Resolvi então segui-lo daqui em diante.
Também peço permissão para postar esse vídeo em meu blog, citando onde o encontrei.
Muito obrigada, desde já.
Beijokas.