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quinta-feira, 17 de abril de 2008

PENSAR ABRIL



Tendo em vista comemorar mais uma passagem sobre o 25 de Abril, o Largo das Calhandreiras lança um desafio a todos os calhandreiros. Propomos que nos enviem textos de opinião/reflexões de natureza política, sobre o estado da nossa democracia, da nossa vida política, cívica, etc. Era importante nesta “altura do campeonato” acrescentarmos alguma reflexão a todo o ruído que nos rodeia e do qual também somos cúmplices. Perspectivar o futuro passa também por avaliar o caminho percorrido e apontar os defeitos e virtudes do que fomos construindo ao longo destes curtos 34 anos de liberdade. Fica o desafio.

1 comentário:

Folha Seca disse...

Se me é permitido deixo aqui um poema que nos faz relembrar abril e um dos grandes poetas do nosso País:

As Portas que Abril abriu
«Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
(...)
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempo do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
(...)
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
(...)
Foi esta força viril
de antes de quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.»
in SANTOS, Ary dos.- As Portas que Abril Abriu. Lisboa, 1975.