.
.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Manifesto Anti-Cunha


“Basta PUM Basta!!!”

Basta de picadas de melgas e mosquitos, basta! Morte à Cunha e morte a todos quantos a bajulam, a adornam, a todos quantos lhe alimentam uma existência perversa e dissimulada! Que morra a Cunha, que morra! PIM! Porque um país que vê ingénito nos olhos da menina Cunha, transparência, candura, inocência, é um país da treta, uma choldra, um punhado de feltreiros e palanfrórios que apenas têm o que merecem: um país deslambido, uma nação agarrada ao fadinho da fatalidade, da fatalidade de ter nascido no dia em que o filho deu uma aquecedela na mãe, um país de espertinhos, de chico-espertinhos “a mim não me comem não!...” Não te comem? Só se não calhar, sonso, ó pensas que a menina Cunha não é uma saloia atrevida? “Alto aí que eu não sou desses!” Desengana-te néscio, já todos piscaram o olho à bisca, já todos lhe miraram o cú e as mamas sem que ela tenha sequer corado de acanhamento. A menina Cunha é uma rameira, a menina Cunha é uma oferecida, a menina Cunha é uma meretriz. Enquanto se arrefenha com gajos como tu, coça o nariz e come tremoços e pevides, indiferente, incônscia, puta dos pés à cabeça e da cabeça aos pés, puta todos os dias, a qualquer hora, em qualquer lugar. E olha que a gaja está em todo lado, c’uma porra! É nas empresas, é nas associações, é nos clubes, é nos hospitais, é nas repartições, é nos partidos, é nas câmaras, é no parlamento, é no governo... c’uma porra! Vai com todos, porra! Com todos, ouviste?
“Olá!...” T’ás a pensar: “mas quem é este gajo p’ra falar assim de tão inocente e prendada menina?” T’ás a pensar... mas tu lá pensas, carago? Tu lá tens escrúpulo de dares uma facadinha com a gaja só para internares a sogra, para ela ser operada à frente dos outros vinte mil que estão em lista de espera? Tu lá tens escrúpulo de dares uma facadinha com a gaja para veres aprovada a licença de construção da marquise? Tu lá tens escrúpulo que o teu filho passe à frente de cem garotos para entrar no infantário que escolheste? Tu lá tens escrúpulo de passares à frente de duzentos tipos mais qualificados do que tu, para aquele emprego que sabias impossível? Tu lá pensas nisso? Tu queres é chegar a casa e teres a janta na mesa. Tu queres é ver a bola no sofá, queres pular p’ra cima da patroa (como carinhosamente a tratas) sempre que te apetecer. Tu queres é que os outros decidam por ti e sabes porquê? Porque estás confiante, porque crês que a menina Cunha está à tua espera de perna aberta e que te vai safar, que te vai abrir as portas do empregozinho, do cargozinho, da consultazinha, do subsídiozinho, do lugarzinho no céu. E sabes porquê, chibante? Porque não acreditas no mérito, no esforço, no valor do trabalho. Enxovalhas a garota que arrancou o telemóvel das mãos da professora de francês, gritando e exigindo respeito pelos valores, pelo antigamente, mas sempre que podes dás uma trancadinha na puta, na cândida e prestimosa menina Cunha. Chafurdas na lama convencido que és impoluto.
Basta de picadas de melgas e mosquitos, basta! Que morra a Cunha, que morra! PUM! Porque caso não saibas ou a memória te falte, PIM, sabes de quem é filha a dita menina, sabes? É filha duma velha que odeias mas que engordas a couve e farelo. É filha da velha Corrupção, essa mesma, ouviste bem. És tu, eu e outros cabrões como nós que lhe damos trabalho, que permitimos que faça o que melhor sabe, minar o Estado, fazer-nos não acreditar...

“Morra o Dantas, morra! PIM!” E mais a puta da menina Cunha! PUM!

6 comentários:

Wolverine disse...

A meninha Cunha é isso e muito mais: é quem ceifa a cultura do país, é quem afasta o investimento legal e sustentado para instaurar o corropio de luvas e negócios que enriquecem uns na mesma proporção em que empobrecem outros. Mas além da sua mãe Corrupção ela tem uma irmã que não lhe fica atrás, de seu nome Indiferença. É esta que nos diz para não denunciar quem vive à custa do subsídio de desemprego e faz uns biscates por fora, é ela que nos leva a fechar os olhos ao roubo da nossa própria carteira quando permitimos que nos vendam sem a "facturinha" para pagarmos menos. A família da menina Cunha tem mais membros...um deles é a sua prima Esperteza Saloia, conhecem? É aquela que pensou que estas coisas das Novas Oportunidades eram só para os pacóvios, pois ela vai-se só increver para sacar o portatilzito a 150€. Estudar? Isso é para os palermas...

Quando é que este povo irá acordar e abraçar a Responsabilidade, o Trabalho e a Persistência? Quando é que este povo irá entender que só esta pequena e desprezada família nos poderão tirar do buraco onde a doce canção da menina Cunha e companhia nos deixaram?

Por mim, prefiro morrer de pé do que viver de joelhos. E tu, que dizes meu Povo? Onde está essa chama nos olhos e no coração que nos levou a descobrir o Mundo?

Anónimo disse...

Ou Sr. Relaxado, mas quem é o senhor para se julgar que é um ser superior ou uma pessoa mais importante do que as outras pessoas? Se calhar o senhor até é o rei das cunhas.... Seja sério. Se calhar até já teve rabos de palha e eu já ouvi falar de alguns....

Anacrónico disse...

Mas o Relaxoterapeuta disse, por acaso, que é imune à Cunha?
Ele sempre há gente que vê mosquitos por cordas em tudo o que é sítio!... E sem razão, do meu ponto de vista.
Por acaso o Relaxoterapeuta disse alguma não verdade? Não é que a CUNHA é, para nós portugueses, uma coisa mais que endémica - eu até diria que é verdadeiramente epidérmica!!
Esta coisa de passar à ofensa sem mais aquela, é outros dos nossos mais preocupantes defeitos... está-nos na massa do sangue.
E então quando vemos alguém a fazer coisas de que não somos capazes!
Parabéns Relaxoterapeuta por mais este naco de (boa e satírica) prosa.
Os cães ladram e...

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Ti Nini disse...

Aí está mais um texto a incomodar algumas consciências castas. Uma coisa é certa: As prosas do Relaxoterapeuta nunca passam indiferentes. Escritas com soberba ironia, seguramente que incomodam pelo conteúdo, e despeitam pela forma alguns candidatos a comentadores e cronistas.
Não conheço a pessoa do Relaxoterapeuta e não associo por isso as suas intervenções nem a contradições nem a interesses ocultos. Aprecio-lhe o estilo. Para mim, que penso que a autocrítica é uma virtude e que não tenho rebuço em aceitar que me lembrem os meus defeitos, ainda que de forma irónica, é sempre um enorme prazer lê-las.

Anónimo disse...

Bela metafora...para além da cunha.