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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Em Busca da Credibilidade Perdida

Podia ser o título de mais uma sequela de Indiana Jones, mas infelizmente não é…

Podia ter acontecido em Castro Verde ou em Aljustrel, mas não, foi no deserto do Atacama, no extremo norte do Chile, a milhares de quilómetros do Casal da Formiga.
Podia ter vindo de Lisboa, mas não, veio das entranhas da terra chilena, a mais de setecentos metros de profundidade, o grito de esperança que nos fez sentir os olhos baços e as mãos trémulas, um grito que nos fez por algumas horas levantar os olhos do chão e olhar fixamente para o ecrã, acompanhando o resgate dos mineiros com um nó no estômago e um estranho sentimento de proximidade, quase familiar. Era como se o resgate daqueles homens, nada diferentes de outros que morrem todos os dias em anónima agonia, se tivesse tornado num imperativo de consciência colectiva, mesmo para aqueles que, tal como eu, nada podiam fazer. Era como se a esperança deles e a das suas famílias, fosse a nossa própria esperança, uma vital necessidade de acreditar.
Assisti à maior parte da operação de resgate pela televisão, acompanhado pelo meu bom amigo e vizinho Aurélio, quase sempre em silêncio, expectantes, desejosos do fim do pesadelo, ansiando por um brinde sentido, a oblação em sacrifício, aos deuses e aos homens, de um soberbo reserva de Clos Apalta, um puro sangue chileno. Coisas do profano.
Para nós, que partilhámos horas a fio as angústias e as emoções deste mediático episódio, que em breve se esfumará na sua própria bruma, na espuma dos tradicionais argumentos de êxito de bilheteira e nos reclames de lâminas para homens de barba rija comprados a peso de ouro, emergem duas grandes lições a que vale a pena dispensar, para breve análise crítica, um ou dois minutos e os dois dedos de testa com que o criador nos equipou o cocuruto - se é que a sua generosidade foi extensiva a todos os mortais. Por um lado a coragem, a vontade e a determinação dos mineiros em quererem sobreviver, viver, respirar, emergir, abraçar. Mas por outro, a inabalável confiança que depositaram em quem lhes prometeu e se comprometeu em devolver-lhes a vida, uma nova oportunidade, um resgate das profundezas, do pesadelo, a confiança em quem lhes garantiu que não os abandonaria. É isso, eles tiveram coragem porque tinham confiança. Eles tiveram esperança porque acreditaram. E é esse o nosso drama. Porque nos sentimos aprisionados nas entranhas deste país à deriva e já não acreditamos naqueles que nos prometem, pela enésima vez, que nos hão-de resgatar. Já não cremos que os sacrifícios e as privações nos conduzam a lado algum. Mas afinal como podemos nós confiar nessa gente? Não são os mesmos que foram provocando as sucessivas derrocadas?
Porque infelizmente Castro Verde e Aljustrel não são no deserto de Atacama, e que se saiba, há muito que por cá não emergem políticos da mesma colheita de Sebastián Piñera, é que este vosso anónimo paisano acha que temos um gravíssimo problema de credibilidade. Perdida! E não se vislumbra solução.

7 comentários:

Fê-blue bird disse...

"É isso, eles tiveram coragem porque tinham confiança. Eles tiveram esperança porque acreditaram. "

Uma vez mais parabéns pelo excelente post, cheio de verdade e emoção.
Acabo o meu comentário com a mesma frase.

"E não se vislumbra solução."

Um abraço sentido

Anónimo disse...

Então se não tens solução, cala-te...!!!

Luís Coelho disse...

Gostei do texto. Foi um drama que vivemos mas tudo acabou bem.
Nós também estamos no fundo. Paralelo ou comparação com os mineiros, porém a eles alguém lhes prometeu e os ajudou, mas a nós portugueses apenas nos sugam os cobres e o sangue.
Ninguém nos promete melhores dias e com este desenrolar dos acontecimentos acabaremos todos na mais profunda miséria.
Não consigo escrever mais pois isto mete nojo pelas mentiras incompetência e compadrio.

Rogério Pereira disse...

Excelente texto. Não sei se o paragrafo final era necessário. Julgo que Sebastián Piñera não seria própriamente um homem capaz de dar credibilidade a Portugal. Se me não engano, as leis chilenas quanto à segurança no trabalho são mais permissivas que em Portugal... e um acidente como o ocorrido nunca seria possível nas minas portuguesas, cujas normas de exploração exigem multiplos acessos ao pessoal e ao material extraído...

Passado o efeito dos actos heroicos e da cadeia solidária que se lhe seguiu, há que dar visibilidade às condições de trabalho e ao futuro dos mineiros chilenos...

Abraço

Anónimo disse...

Está a mais o último parágrafo, o primeiro, o segundo e o terceiro...!!!

Anónimo disse...

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