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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

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SEDES alerta para "mal-estar" na sociedade que pode levar a "crise social"


A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) alertou quinta-feira para um "mal-estar" na sociedade portuguesa que, a manter-se, poderá originar uma "crise social de contornos difíceis de prever".

Em comunicado divulgado no seu portal, a SEDES sustenta que "sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional".

Esse "mal-estar" deve-se a "sinais de degradação da qualidade cívica", como a "degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários", a "combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma Justiça ineficaz" e o aumento da "criminalidade violenta" e do "sentimento de insegurança entre os cidadãos".

A SEDES adverte que, a manter-se o "mal-estar e a degradação da confiança (...), emergirá, mais ou cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever".

Por isso, a associação apela à intervenção da sociedade civil mas sobretudo do Presidente da República e dos partidos políticos com representação parlamentar.

O comunicado é assinado pelo conselho coordenador, do qual fazem parte Vítor Bento, que o preside, Alves Monteiro, Luís Barata, Campos e Cunha, Ferreira do Amaral, Henrique Neto, Ribeiro Mendes, Paulo Sande e Amílcar Theias.

Criada em 1970, a SEDES é uma estrutura que tem como preocupação reflectir sobre a situação económico-social do país.


(surripiado da Lusa)


“Não tem perigo, o povo é sereno. É apenas fumaça…”


10 comentários:

folha seca disse...

Um paragrafo do comunicado da Sedes,que diz muito e que mostra que ha gente atenta e que faz diagnosticos muito oportunos

"Para a «regeneração» da sociedade portuguesa, a associação advoga que os partidos políticos devem «abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência (...) e desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos»."

Pirolito disse...

Pois... a SEDES tem toda a razão.
Aplaudiria a quatro mãos, se as tivesse qual Shiva. Mas digam lá muito sinceramente: acham que os partidos, ancilosados e virados para os seus umbigos como estão, serão capazes de 'dar a volta por cima'?
Eu, cá por mim e embora tenha as ideias um pouco gasosas, acho que vai ser mais difícil eles fazerem as transformações que lhes são apontadas, do que foi a Bartolomeu Dias dobrar o Cabo das Tormentas...

Wolverine disse...

Algo tem de mudar desde o âmago de toda a sociedade. Como se costuma dizer, "Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão." E este é o caso de Portugal.
O povo esquiva-se a pagar impostos ou então compram sem a "facturinha" e depois querem que os impostos não subam.Engana-se a Segurança Social ao ter fundo de desemprego enquanto se fazem uns biscates por fora e depois não querem que a idade da reforma suba. Vai-se atrás de populismos e vota-se em quem promete mundos e fundos e depois tem-se a Marinha no estado em que está (este é um comentário pessoal).
Enquanto não se perceber que não há acção sem consequência, quem sofre é o pequeno. Queremos ser grandes como os países do Norte, mas não queremos ter o trabalho para lá chegar (veja-se o exemplo da flexisegurança- modelo dinamarquês). Temos o país que mereçemos...
Têm de mudar mentalidades, processos, e formas de luta contra certas medidas. Em vez de fazermos manifestações vazias e sempre com os mesmos slogans, que tal utilizar a inteligência e fazer contra-propostas, utilizar mecanismos que a Constituição nos dá?
Que tal utilizar as Novas Oportunidades, independentemente do facto de irem ou não diminuir desemprego, para aumentar a cultura de quem foi privado de estudar há muitos anos e não para tentarem ganhar o "portatilzinho"?
Lutem, trabalhem, esforcem-se, estudem para podermos fazer frente aos desafios. Pois quando virem que estão a lidar com pessoas que já não caem em tudo o que dizem, as coisas mudarão.
Acusem-me de sonhador, mas não me acusem de comodista...

Anónimo disse...

O que leio deixa-me uma réstea de esperança.
Enquanto alguns speakers dos partidos da oposição retiraram do relatório da Sedes a conclusão de que estamos à beira de uma crise social grave e aí se agarraram como lapas para atacar o Governo, omitindo as suas próprias responsabilidades, cá por baixo, na arraia miúda, onde pontificam alguns dos "bitaiteiros" deste blogue, há quem tente ver para além da fumaça.
Subscrevo tudo o que atrás disseram e comungo da ideia de que, para os carreiristas políticos, uma boa parte incompetentes que nunca foram actores da vida real, este relatório é um pesadelo.
O grande problema é que os partidos não se regenerarem, os apelos aos "salazares" vão aumentar exponencialmente.
A democracia tem que ser defendida e os valores éticos, cívicos e políticos têm que prevalecer sobre os obscuros interesses de quem faz carreira à procura de protagonismo e poder político.

Anónimo disse...

Apenas pergunto, será que pessoas como Henrique Neto e outros não teram culpa da presente situação?
Não basta dizer, há que encontrar soluções para devolver a confiança aos Portugueses.
Não podemos continuar a pagar enquanto outros lucram milhões (caso da Banca, EDP, PT, Galp, etc...)
Já pensaram em voltar ao Escudo?
Já pensaram que foi o Euro que veio criar todas estas desigualdades?
Nisto os Senhores da SEDES e outros não falam!Porquê??
A população vive do seu dia a dia e não de palavra bonitas.
Não basta alertar!!
Justiça?? Que Justiça??
Social??
Como podem estes senhores falar de dificuldades, quando não passam por elas.

Anónimo disse...

Isto é discurso de um PPD (jovem) com mentalidade de "Velho do Restelo".
Como é que uma pessoa que não sabe português correcto, quer mandar bocas sobre as virtudes do escudo e os pretensos malefícios do Euro?
Não há pachorra.

Anónimo disse...

Deixem-se de parvoíces e de "frases feitas" ....


Tirando o PCP, qual é o Partido politico Português que não está aberto à Sociedade ???

Que eu saiba, todos estão ....


Só que é muito mais fácil vir para aqui e para as mesas de café dizer mal de tudo e de todos .....

Curem-se .... seus pretensos "donos da verdade" .....

Vão à luta, mostrem do que são capazes ....é de gente dessa que o País precisa, não de "Velhos do Restelo" ....

(é engraçado como alguém que se comporta como tal vem aqui criticar os outros .... nem sabe do que fala - é só frases feitas)

Anónimo disse...

"Velhos do Restelo"?
Ou anonimo olhe que está muito enganado quanto ao "novo" do PPD.
E já agora, é mentira o que foi dito?
Será que ganha assim tanto para não ver que há pobreza escondida?
Só não vê quem não quer!!
XUXAS CHONÉS

Ti Nini disse...

Esse "mal-estar" deve-se a "sinais de degradação da qualidade cívica", como a "degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários", a "combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma Justiça ineficaz" e o aumento da "criminalidade violenta" e do "sentimento de insegurança entre os cidadãos".
(Conselho coordenador da SEDES)

"É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma".
(não sei quem disse, ou se disse assim, mas temo que seja verdade)

É tudo verdade, só que não vi a ênfase na questão económica, na falência do modelo que, no dizer dos próprios governantes, tanto condiciona o nosso bem-estar social.

Porque a crise está aí e teve o condão de mostrar com clareza a vincada linha da desigualdade. O garrote económico, que por razões domésticas e externas, exerceu a sua função de aperto, evidenciou a falta de defesas e a incapacidade de auto regeneração do nosso aparelho económico interno.

Inebriados, confusos e desejosos de acreditar nos amanhãs gloriosos, aceitámos que apelidassem de “velhos do Restelo” e de “profetas da desgraça” todos quantos, bem ou mal intencionados, nos foram advertindo. Agora, semi-cerrada a torneira dos subsídios à coesão em que consistiu a base do nosso desenvolvimento, teríamos preferido que os meios aportados, em vez de modelos copiados, tivessem produzido um sistema à nossa medida, as reservas da nossa auto-protecção.

É que, conhecida a deseducada opinião geral, foi fácil investir no ego e no orgulho balofo, apostar na auto-estima, tentar e conseguir convencer-nos que o novo-riquismo é um direito acessível e que fazia parte do milagre económico realizar num ápice a obra essencial e a acessória.

Tudo isto sugerido por meias verdades, que os estádios e outras realizações dinamizam a economia e promovem o bem-estar social. As auto-estradas são tão boas para a rápida visita à terrinha, para o pulinho ao Algarve, como, imagine-se, para trazer os produtos de Espanha, ou os trezentos infanto-asiáticos, importados por Roterdão. O dinheiro, esse retorna por via electrónica, já que o que temos mais desenvolvido é o sistema bancário, tão gerador de emprego e bem-estar, tão produtivo quanto honesto e moralizador.

Aparece agora mais claro o fracasso (ou o sucesso, dependendo da óptica) das organizações a quem incumbia o estudo e a fiscalização dos projectos de investimento público e privado que foram merecedores de subsídios comunitários. Na matriz, vingou a lógica mercantilista de quem propôs, incentivou e aprovou meras extensões de negócio com retorno garantido para os mesmos de sempre, que quem parte e reparte…

Pois é, mas agora a precariedade, o desemprego e a insegurança generalizada, começam a despertar consciências. Enquanto a esperança morre e o desespero se instala, podem aparecer novas propostas de enredo, novas causas, que um e outro são maus conselheiros. Afinal, nem a primeira república foi assim há tanto tempo, nem estamos geograficamente tão longe doutros povos com os mesmos conflitos.

É por isso que, para não cairmos nos mesmos erros, talvez seja prudente ouvir, questionar, apoiar e amplificar a voz dos justos e denunciar o que nos parecer a fuga para a frente de quem quer manter ou ainda ambiciona a ter privilégios. Numa palavra, juntar a nossa voz à denúncia cívica, na busca duma sociedade mais justa e fraterna.

Anónimo disse...

Amigos Calhandreiros leiam o JN do passado Domingo (02.03.08) e depois digam-me se estou enganado quanto à pobreza escondida junto das crianças.
E burro sou eu??