.
.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Revista de Imprensa

Vidro artesanal pode estar em vias de extinção

Desde 1996 que, todos os anos, empresas de vidro da Marinha Grande fecham portas. Sindicato mostra-se preocupado com número de trabalhadores que ficaram no desemprego.


Em 13 anos, fecharam no concelho da Marinha Grande 13 empresas vidreiras, deixando mais de um milhar de trabalhadores no desemprego.
Desde 1996, que o sector regista o encerramento de uma empresa por ano, antevendo um cenário pouco animador para uma tradição secular que, ainda hoje, tenta permanecer viva na história da Marinha Grande, perpetuada pelas unidades fabris ali instaladas e pelos espaços museológicos criados.
Foi a partir do encerramento da Roquividros, em 1996, e que deixou 70 trabalhadores no desemprego, que o sector começou a viver tempos de crise. A partir desta altura, todos os anos encerravam uma ou mais empresas, como a famosa Pereria Roldão, que abriu falência em 1998. Dos 250 trabalhadores, 140 transitaram para a Mandata, que acabaria por fechar portas em 2001.
Marcante na história vidreira foi o fecho da J. F. Custódio, em 1998. As duas centenas de trabalhadores passaram para a Jorgen Mortensen que, em 2001, reduziu 100 postos de trabalho. Dois anos mais tarde, despediu 70 pessoas e, em 2005, declarava insolvência.
Outro ano negro no sector vidreiro foi 1999 com o encerramento da IVIMA, onde laboravam 300 pessoas. Na altura, foram criadas duas novas empresas, mas também estas fecharam portas quatro anos depois, ficando no desemprego cerca de 250 trabalhadores.
Os restantes transitaram para a Vista Alegre/Atlantis, que hoje funciona em Casal da Areia, Alcobaça. Seguiu-se o encerramento de outras empresas nos anos seguintes. Segundo os dados do Sindicato de Trabalhadores da Indústria Vidreira, entre 2003 e 2008, fecharam portas nove empresas, que deixaram no desemprego mais de 600 pessoas.
No total, o encerramento das 13 empresas durante mais de uma década deixou sem trabalho mais de 1.300 pessoas.
De acordo com o sindicato, as empresas que fecharam portas tinham, nos anos 80, mais trabalhadores do que no ano de encerramento. No entanto, os salários em atraso levaram à saída de muitas pessoas antes mesmo da fábrica encerrar.
Apesar deste cenário preocupante, outras empresas vidreiras tentam manter a laboração. Actualmente, estão no activo seis fábricas, que empregam mais de 900 pessoas. A unidade fabril que emprega o maior número de trabalhadores (500) é a Vista Alegre/Atlantis, em Alcobaça.
A estas empresas, juntam-se as unidades de embalagem, também de vidro. Actualmente, existem três e empregam mais de 1.100 trabalhadores.


Falta modernização e incentivos ao sector

A "razia" de empresas que fecharam portas nos últimos anos deixa o Sindicato de Trabalhadores da Indústria Vidreira preocupado com o futuro "incerto" do sector.
"Já viveu melhores dias", desabafa Etelvina Rosa, que classifica como "calma" a situação que se vive actualmente no sector.
Em conversa com o Diário de Leiria, aquela sindicalista referiu que o sector vidreiro manual é o mais preocupante. "O das embalagens, felizmente, está de boa saúde", mas "o manual foi o mais prejudicado, porque nunca houve modernização e incentivos aos empresários", disse.
Já este ano, em Abril, os cerca de 50 trabalhadores da Ifavidro não ganharam para o susto quando a empresa marinhense quase declarou 'lay-off '. Segundo Etelvina Rosa, o processo não chegou a avançar, porque os administradores e trabalhadores chegaram a um acordo: não trabalhar à segunda-feira, situação que se manteve até Junho. Neste momento, a empresa está a laborar regularmente.
As empresas que se mantêm abertas actualmente não têm salários em atraso, mas aquela sindicalista disse que "também não têm havido aumentos salariais há dois ou três anos".
Neste momento, uma das empresas que tem preocupado o sindicato é a Vista Alegre/Atlantis, localizada em Alcobaça, que se encontra numa "fase de mútuos acordos com os trabalhadores".
"Não se nota o evoluir das vendas e isso é preocupante", frisou Etelvina Rosa, que gostaria de ver "singrar a única empresa do País que produz cristal".
Inverter a tendência de fecho pode ser possível com apoios do Governo, referiu a sindicalista, que atribui 'culpas' ao preço do gás, essencial para a laboração, defendendo a criação de uma central de distribuição de gás.



(surripiado do Diário de Leiria)

Sem comentários: