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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Hoje em DESTAQUE

A propósito do post anterior, destacamos este bitaite do calhandreiro acsantos, como um bom contributo para uma discussão em que, mais do que demagogia, o que se pretende são argumentos válidos e coerentes. Por isso, vamos a eles:


acsantos disse...

Tenho lido muitos comentários sobre a TUMG, o que me leva a concluir que, sendo polémico porque o complicaram, este projecto é suficientemente importante para nos fazer reflectir.
Apesar de o conhecer melhor que ninguém, tenho resistido a intervir nesta polémica porque me quero manter afastado de estéreis discussões políticas, que não raro descambam na ofensa e no achincalhamento pessoal.
Porque acho que as questões da mobilidade são importantes, e mais agora, que o custo dos combustíveis atinge níveis inamagináveis há quatro anos atrás, não resisto a clarificar o pensamento político e as ideias que sustentaram o aparecimento da TUMG.
Em primeiro lugar, a questão dos transportes urbanos municipais, se encarada isoladamente, não tem sustentabilidade e nunca será solução para as questões de fundo.
O problema da mobilidade das cidades médias é estrutural e só a sua articulação com outros projectos fará sentido e será coerente.
Foi por isso que primeiro se encomendou um estudo de Mobilidade à Faculdade de Ciências de Coimbra, coordenado pelo Prof. Álvaro Seco. Este estudo fez a hierarquização das vias de comunicação da cidade e identificou os corredores de vias rápidas, vias principais, vias secundárias e malha urbana de ligação entre elas.
Com este plano estruturado, foi possível identificar corredores onde era viável introduzir ciclovias, zonas pedonais,zonas de estacionamento condicionado, centro multimodal de transportes, etc.
Este plano deveria ser plasmado no novo Plano de Urbanização da Marinha Grande, que nenhum político parece querer concretizar, porque quando houver P.U. aprovado, o poder descricionário de decidir quem, onde e o que se constroi, deixará de estar nas mãos de um qualquer episódico autarca e passará a obedecer a regras claras que a todos obrigam por igual.
Depois temos o problema da sustentabilidade financeira de uma empresa municipal de transportes, sendo certo que todas empresas de transportes públicos, quer sejam nacionais quer locais, são deficitárias e acumulam prejuizos, que no caso das grandes Metrópoles, Lisboa e Porto são subsidiados e cobertos pelo estado, o que não acontece nos Concelhos.
Conhecida a dimensão do Parque de Máquinas e Viaturas da Câmara e a incapacidade prática de gerir uma frota desta dimensão com eficiência, face à existência de só dois mecânicos em que só um trabalhava, porque o outro era sindicalista a tempo "inteiro", o que se pensou foi canalizar a gestão da Frota da Câmara para a TUMG, contratando um engº. Licenciado em transportes e credenciado pela Dir. Geral de Transp., para dirigir a empresa, introduzindo técnicas de gestão que nos permitissem fazer a análise de custos, controlo da despesa e aumento da rentabilidade desses recursos, gerando receitas para a TUMG através da prestação de serviços à Câmara, de forma mais económica do que seria por administração directa.
Paralelamente, a TUMG iria gerir também as zonas de estacionamento condicionado, os parques de estacionamento existentes e em construção, bem como os transportes escolares, tudo isto, finalmente, articulado com uma pequena frota de Mini-Autocarros, que iriam fazer o transporte de passageiros em circuitos urbanos que ligassem os lugares ao centro da cidade, às zonas industriais, ao centro multimodal de transportes e à estação da CP.
Os circuitos dos Mini- Autocarros seriam pintados nos pavimentos e nos estacionamentos a azul, as paragens prèviamente escolhidas e devidamente sinalizadas, os estacionamentos pagos com senhas pré-pagas, que poderiam ser adquiridas e vendidas (ou oferecidas) pelos próprios comerciantes.
Quando alguns falam de ilegalidades é bom reconhecer que nem tudo correu bem e, apesar dos pareceres jurídicos que sustentaram os Estatutos da TUMG, a verdade é que a Dir. Geral de Transp. Terrestres não licenciou a gestão e exploração de Camions de transporte de mercadorias com mais de 5 TON, porque para isso a empresa teria que possuir um alvará próprio.
Tudo o resto era, e é viável e legal, bastando que a Câmara aceite retomar a posse dos camions à TUMG, pelo valor que actualmente têm após as amortizações já realizadas, que é ridiculamente baixo e depois a TUMG alugue o morista.
Para que não fosse necessário despedir ninguém, nem contratar mais funcionários, os motoristas e operadores de máquinas especias poderiam ir para a TUMG em comissão de serviço, sem perderem o vínculo à função pública e com a vantagem de poderem ser melhor remunerados e com um processo de gestão dos horários de trabalho muito mais flexível, com vantagens para todas as partes.
Este projecto integrado, se fosse estudado e entendido por quem deveria, contemplava o planeamento urbano da cidade, que cresceu e ainda crece desordenadamente, o controlo dos estacionamentos e movimentos de carros no Centro Tradicional, a intrudução das ciclovias e a educação para a retoma do uso da bicicleta e a gestão do Parque de viaturas da Câmara, que é coisa que nunca existiu e onde se desbaratam centenas de milhares de euros dos impostos de todos nós.
Desculpem se vos macei.

6/02/2008 12:17 AM

7 comentários:

Anónimo disse...

Sê humilde Artur Autocolante: pede explicações ao acsantos porque ele realmente sabe do assunto...e assim todos ganhamos!

Anónimo disse...

Sê humilde Artur Autocolante: pede explicações ao acsantos porque ele realmente sabe do assunto...e assim todos ganhamos!

Anónimo disse...

Sê humilde Artur Autocolante: pede explicações ao acsantos porque ele realmente sabe do assunto...e assim todos ganhamos!

Anónimo disse...

Mais palavra para quê?
Se não fizeram... não fazem... e não vierem a fazer... É PORQUE NÃO QUEREM ou PORQUE NÃO CONVÉM (aos lobbies económicos e urbanísticos da cidade e do concelho, claro está)!!!!
Quem se lixa, entretanto... É O ZÉ VIDREIRO!

Anacrónico disse...

Os meus parabéns a ACSantos pela exposição, clara que nos deixou e pela luz que trouxe a este caso!
Realmente quem sabe da poda sabe, enquanto outros entretêm-se com jogos políticos, mais ou menos malabares, para distrair clientelas ou para passar a peneira pelos olhos de uns quantos que, de enfeudados que estão às suas cores, não conseguem vislumbrar nada de positivo naquilo que outros possam criar.
Esta explicação clara e pormenorizada que ACSantos nos trouxe, permite que possamos compreender melhor o que é isto da TUMG, levando-nos a que nos interroguemos por que razão este projecto (que tem hoje um interesse redobrado) praticamente ainda nem do papel tenha saído??!!...

Anónimo disse...

Ex.mo Sr. AcSantos:

quer fazer um verdadeiro SERVIÇO ao Povo da Marinha Grande??

PUBLIQUE este texto no JMG e Jornais da Região... todos precisam de saber o que verdadeiramente está por detrás da TUMG.

o Tó-Zé Berlusconi que outrora não teve despudor em aqui 'rebuscar' textos para publicar no seu Pasquim... se não publicar este, prova de que lado (sempre) está: do que mais lhe convém!!

Wolverine disse...

Deixo aqui os meus cumprimentos a AcSantos: primeiro porque todos nós ficamos com uma perspectiva mais realista do que realmente se passa nesta história da TUMG e segundo por ter tomado a decisão de participar num espaço onde todos podem falar.

Só uma ou duas notas pessoais acerca do seu comentário:
- deduzo pelo projecto que, se tivesse dentro de prazos, a zona comercial em redor da Câmara Municipal da Marinha Grande poderia estar a mais movimentada com o consequente revitalizar da actividade económica através de possíveis circuitos que levassem as pessoas áquela zona da cidade;
- deduzo também que o que existe por parte do executivo actual uma vontade de romper com todos os projectos que transitaram do executivo anterior, dando todo o tipo de motivos (muitos deles falsos) para que tais projectos não tenham conclusão.

Mais uma vez saúdo o autor e faço aqui o apelo ao "Sr. Vereador-incansável-que-é-o-primeiro-a-chegar-e-o-último a sair" para acordar das sonecas que deve fazer e trabalhar realmente para que a cidade tenha uma rede de transportes capaz e acabar de uma vez por todas com estas "patacoadas" e "fait-divers" com que nos brinda sempre que é questionado. O mesmo se aplica ao resto do executivo.