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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Luzes - Câmara - Acção!

Empós quase dois terços (e algumas avé-marias) de mandato desfiado a jejuns e abstinências por esgotamento da capacidade de oberar, já que a pandilha cor de rosa tratou de secar os plafons, no culminar da barométrica auscultação angariada no porta-a-porta onde cerca de 9.000 almas (de acordo com os números oficiais) foram acarinhadas, compreendidas e a quem foram reveladas as grande linhas estratégicas, adiafa na sede Ordem com direito a anfiqri dos legítimos representantes da luta de classes, para prestar contas do… futuro. Sim só pode ser do futuro, já que o passado recente, assumidamente, tem sido de míngua, rigor e labuta, para endireitar o barco que os outros deixaram prestes a encalhar. Não fosse a pesada herança e já o navio rumaria a velocidade de cruzeiro em direcção ao porvir, locomovendo atrás de si o progresso e o bem-estar do povo trabalhador, ao som da Internacional. Não fosse o aperto do cinto imposto pelo pseudo-engenheiro e o contra-vapor da “oposição bota a baixo” dos seus serventuários da ex-capital vidreira, e o “programa ambicioso” que apresentaram em 2005 já estaria explanado por todo o território sede de concelho e ilhas adjacentes. Não fosse o “velho do Restelo” ter regateado o acordo ante-nupcial de reforma antecipada que levaria, na linha de sucessão natural, à entronização de novo monarca, de nova dinâmica e a um refrescamento da corte, e já a revolução estaria consolidada e o futuro garantido. Logo o decano comunista havia de cismar que lhe estavam a passar a perna e que nunca houvera qualquer pré-acordo, porque o casamento com o partido é indissolúvel e o compromisso com o povo é inalienável. Que chatice, só problemas…
E o balanço camaradas? De acordo com o porta-voz da organização o balanço é positivo “No fundo prestámos contas sobre a nossa política, da qual destaco como prioridade o saneamento básico e as acessibilidades”. Mau porra – fiquei baralhado. Será que me escapou alguma coisa nestes dois anos e picos? - e eu que pensava que a prioridade tinha sido desencalhar o navio...
Decidi por isso abandonar por horas o remanso do Casal da Formiga e dar uma volta pela cidade à procura de encontrar o fervilhar das máquinas esventrando a terra, colocando manilhas e colectores como uma rede de artérias, veias e capilares prontos a encaminhar para adequado tratamento, detritos, cocós e outros dejectos duma sociedade dita civilizada, procurando encontrar o frenético ruído das máquinas rasgando circulares de descongestionamento, fazendo o transito doutros destinos fluir, contornar a cidade sem lhe provocar desajustados aumentos da tensão arterial, procurando o bulício dos grandes empreendimentos estratégicos que operam as revoluções sustentáveis, procurando (simplesmente!) a marca d’água desta política cujo porta-voz, surpreendentemente agradado, declara para quem o quiser ouvir que as cerca 9.000 almas contempladas com o encontro imediato de 1º grau, se mostram satisfeitas com o trabalho desenvolvido.
Enquanto percorro a cidade, no velho auto-rádio que equipa a infatigável Ford Transit que me acompanha fielmente há mais de vinte e cinco anos na venda de candeeiros, por todo o país e arredores, e bem assim como noutras aventuras despudoradas onde os seus modestos amortecedores são testados até ao limite da resistência humana, duma cassete esquecida ecoa o som roufenho duma cançoneta doutros tempos “procuro e não te encontro…”, canta Toni de Matos com voz forte e sentida. Também eu continuo a percorrer a cidade à procura da razão de se ser poder e das apregoadas prioridades. E enquanto espero que uma alma caridosa me dê prioridade para entrar na avenida, no semáforo (há meses avariado) junto ao Cimarina, penso, o problema só pode ser meu, vou marcar com urgência uma consulta para o oftalmologista. É que já gastei mais de meio depósito e não vejo sinais de progresso, a cidade parece ter mergulhado numa profunda catáfora, parece incompreensivelmente adormecida. Talvez seja esse o segredo, concluo, é que enquanto se dorme todos os sonhos são possíveis. Até mesmo imaginar uma cidade que não existe.

10 comentários:

Anónimo disse...

A Marinha Grande está moribunda. Transformou-se num subúrbio indsutrial de Leiria e vai morrer dentro de anos. O comércio morreu. O acesso à cultura e ao lazer é cada vez menor. Socialmente também definhamos. Dentro de algum tempo também a indsutria estará morta porque os responsáveis dos últimos 20 anos não souberam ler os sinais e fazer um esforço para modificar o tecido económico desta vilazeca com mania de cidade grande.
Não há mal nenhum em ser dormitório se quisermos viver numa zona calma, mas que não atrai os "forasteiros"; a "massa cinzenta" que pode elevar o nível cultural, comercial, tecnológico e social do burgo. Além de que não é atraente para os jovens locais se manterem por cá. A fuga para Leiria tem sido evidnete. Só o preço da habitação na capital de distrito impede que seja maior.
Atrevo-me mesmo a dizer que Pombal, uma cidade que era de um atraso gritante, ultrapassou a Marinha Grande em termo culturais e económicos.
Mas o pior é que a apatia é grande, tão grande que vai acabar em paragem cardio-respiratória.

Anacrónico disse...

Parabéns Relaxoterapeuta. Gostei, como sempre, do texto. (Sou fã, já o havia dito...).
Mas como eu gostava de não ter de concordar consigo e, pior ainda, ter de dar (pelo menos alguma) razão ao que o anónimo 5:20PM aqui debitou.
Infelizmente, as pessoas que não tenham o espírito turvo por acção de lavagens, interiores, às suas pobres cabeças, facilmente reconhecerão que, se desde há já alguns anos a Marinha Grande não anda bem, os últimos três anos, então, têm sido do mais absurdo e inquietante retrocesso...
Vamos perdendo tudo, pouco a pouco!
Cada vez nos vamos sentindo mais profundamente mergulhados num vazio de desesperança!!
Dizem-nos que não há dinheiro... Nunca o houve em abundância é certo, mas, hoje o que falta em dinheiro sobra em incompetência e inoperância!
Quando olhamos para algumas vilas e cidades à nossa volta, sentimos, para com a nossa terra, uma desolação e uma dó sem limites.
Falou o anónimo em Pombal. Mas eu acho que temos exemplos ainda mais perto que são autênticas lições de dinamismo e de preocupação em oferecer aos seus munícipes o bem-estar que os faz sentirem-se orgulhosos das suas terras. E olhem que não é necessário investir-se em obras megalómanas…
Atentemos, por exemplo, no caso da Batalha. Aqui há bem poucos anos aquela terra era uma vilória que só vivia do seu Mosteiro e, hoje oferece aos seus filhos e a quem a visita, eventos quase semanais, e, semanas há em que são múltiplas as iniciativas ali decorrentes!
Isto para não falarmos na sensibilidade social que ali existe, nem no desenvolvimento urbanístico e económico que regista…
E nós? É difícil de situarmos o nosso desalento de tão baixa que anda nossa auto estima! O que é que vemos os nossos responsáveis autárquicos fazerem para nos possibilitarem um futuro melhor?

Eu sinceramente não sei. Se houver por aí quem tenha ideias (saudáveis, isto é, não facciosas!...) sobre este assunto, pois que no-lo diga, que no-las traga.

E culturalmente? Bem aqui calo-me porque se me embarga a voz...
É caso para gritar bem alto: socoooorro!

Anónimo disse...

Lol!!!

confiante disse...

Bravo senhor relaxado, mais uma mão cheia de nada e outra vazia. A sua propaganda já todos a conhecemos. Mas será que não lhe sobra um bocadinho de inteligência para falar das coisas boas que se têm feito? Olhe caro senhor, não é por repetir muitas vezes falsidades que elas se tornam verdadeiras!!!!
No próximo ano o povo da Marinha saberá dizer quem tem feito alguma coisa por esta terra e saberá reconhecer todos os projectos que estão a ser lançados e que precisam de tempo para dar os seus frutos. Nessa altura estarei aqui para ver as suas balelas.

Quanto aos que não gostam das verdades que vou dizendo, descasem que não me comovém. Os únicos que podem ficar chateados são os xuxas deste bloggue pois é mais fácil ver comentários sobre as verdades que eu digo do que sobre a propaganda que vão lançando aos sete ventos.
Passem bem.

Acintoso disse...

Que grande lata a deste (des)Confiante!
Afinal demonstra que quem não gosta do que aqui se escreve é ele!
E além disso, ou não tem argumentos para responder ao repto que foi feito pelo Anacrónico (para que alguém indicasse coisas que este executivo já fez ao longo destes três anos...), ou então demonstra bem o facciosismo que lhe embute a alma.

confiante disse...

Quer exemplos? Dou-lhe até um bem recente. A câmara da Marinha está a dinamizar as pequenas e médias empresas e o pequeno e médio comércio com o programa Finicia mas sobre isso os senhores calhandreiros não disseram nem uma palavra! E as jornadas económicas alguém falou nelas? E a variante junto ao estádio que finalmente foi desencalhado por esta câmara e que finalmente vai começar a ser construído? E a nova escola das Trutas? E a galeria das artes? E as actividades culturais como a bienal? E as variantes que finalmente estão em marcha? E o museu do 18 de Janeiro? E as contas da câmara postas em ordem (os outros nem aos fornecedores pagavam)? etc, etc, etc,etc. Quer mais exemplos??? Já para não falar nos projectos que estão a ser lançados!!!
Já agora aproveito também para perguntar porque que nunca falam da junta e do excelente trabalho que se tem feito? Não convêm?

Anónimo das 5.20 disse...

Caro Confiante. Até é possível que existam projectos e que venham a ser lançados. Mas acontece que, passados três anos, continuamos sem saber qual é o caminho que o actual executivo quer seguir. Será que nos pode adiantar qual é esse caminho.
Eu, pelo menos, não nego que este executivo tenha feito algumas intervenções boas para a população, mas foram coisas avulsas. Até agora não me mostraram a estratégia a seguir.
A Marinha Grande precisa de mais. O saneamento é importante. As circulares também. Mas tem faltado uma estratégia cultural. O concelho é de um potencial turístico enorme, mas pouco se tem feito para aproveitar. Basta dar um exemplo, o Campeonato do Mundo de Orientação está á porta. Vão estar por cá milhares de atletas com as suas famílias. Quase todos são provenientes de países com elevado nível de vida. Esta é uma oportunidade para potenciar o turismo no concelho, mas não vi ser delineada uma estratégia. Só vi mais iniciativas avulsas. Por que razão, a Câmara, em conjunto com o Clube de Orientação do Centro e com a Região de Turismo, ainda não procedeu à edição de folhetos com rotas pedestres. O Clube de Orientação tem diversos percursos elaborados, bastava potencia-los. Além disso, têm sido feitos passeios pedestres pela Câmara, onde estão os folhetos com os percursos.
As casas dos guardas-florestais (sei que são propriedade do Estado) tem uma enorme potencialidade para o chamado eco-turismo ou turismo rural. Aproveitando o movimento do Museu da Floresta, a Câmara devia elaborar um projecto para que estas casas possam ser transformadas de maneira a poder receber turistas e ser uma mais vali apara o concelho. Não sei se deveria ser a autarquia a explorar esta actividade. Porém, tem a obrigação de procurar interessados e intermediar o negócio com o Estado.
O centro tradicional da Marinha Grande, ao contrário do que se diz, tem potencialidades. Com um plano de recuperação e com fortes incentivos à criação de empresas inovadoras (não as simples lojas de pronto-a-vestir e as pastelarias), e equipamentos que chamem pessoas ao local, além da promoção de eventos de cultura e lazer, o centro tradicional pode ser salvo. Mas há mais. Muito mais. E já me interroguei, por diversas vezes, por que razão não tem a Marinha Grande um presidente de Câmara com a visão de um Telmo Faria, que colocou, decididamente, o concelho de Óbidos na rota do sucesso.
Os concelhos, actualmente, são como as empresas. E todos sabemos que um bom contabilista não faz uma boa empresa. Mas um gestor criativo pode transformar uma pequena unidade num negócio de sucesso.

Acintoso disse...

Bem senhor (des)Confiante, entendamo-nos.
Sim, concordo que a Câmara fez as coisa que referiu. Isto é, algumas foram de sua iniciativa (por exemplo a restauração da casa do 18de Janeiro, que aplaudo). Mas tenha a coragem de dizer quantas das iniciativas que diz serem da autoria deste executivo não foram coisas já deixadas em projectos avançados pelo anterior executivo que, concordo, poderia ter feito bem mais do que fez, não fosse um certo clima de ‘costas voltadas’ que se viveu no seu seio nos últimos tempos do mandato!
Meu caro, para quem propagandeou durante a campanha que fazia mundos e fundos, deixe que lhe diga que a 'montanha pariu um rato'.
Se tudo é assim tão bom, se têm feito tanto trabalho, então como é que explica a sonolência que se abateu sobre a Marinha Grande? Como é que explica o desânimo que se nota nos marinhenses?'
O caro (des)Confiante deve viver e andar uma terra que não é a nossa!
Será isso?

Anónimo disse...

Caro Confiante, tenha cuidado ao defender a Cãmara e ao falar do programa FINICIA. Sei de fonte segura que tanto o presidente da Cãmara como outros que regem esses dinheiros estão a cometer uma ilegalidade e ainda vão responder a tribunal.
Cumprimentos
Santola Varrida

Anónimo disse...

Cheira-me que este confiante "que já foi outras coisas" vai buscar a sua inspiração naquela fonte existente ali para os lados do luzeirão...