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terça-feira, 25 de março de 2008

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"Industriais de moldes apanhados a dar golpada ao fisco"

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a desarticulação de um esquema de fraude fiscal envolvendo uma empresa alemã de comércio de aço e dezenas de empresas portuguesas de moldes, localizadas nos distritos de Leiria (Marinha Grande e Alcobaça) e Aveiro (Oliveira de Azeméis).
A investigação, desenvolvida pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro da PJ, com a colaboração dos Serviços de Finanças de Aveiro e Leiria, permitiu recuperar um milhão de euros de impostos, através de liquidação, tendo sido constituídos 215 arguidos, entre os quais vários empresários portugueses e alemães.
Segundo fonte da PJ, o esquema fraudulento iniciava-se com a comercialização de aço, através de uma firma congénere da empresa mãe alemã.
Trata-se de uma empresa que foi criada na década de noventa no concelho de Alcobaça para a comercialização de aço, acessórios e componentes, para abastecer o mercado português das indústrias de moldes, metalomecânica e metalúrgica.
Esta fornecia o aço, facturando valores superiores aos praticados no mercado aos clientes, tendo sido identificadas cerca de oito dezenas de empresas portuguesas, todas ligadas ao fabrico de moldes, das zonas da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis.
"Trata-se de um esquema em larga escala, em que estavam envolvidas quase todas as empresas do sector da indústria de moldes", disse fonte ligada à investigação.
Segundo a PJ, a razão que levava os empresários portugueses a preferirem aquele fornecedor, não obstante praticar preços mais caros, é que depois recebiam o que pagavam a mais, nas suas contas pessoais.
"O estratagema arquitectado passou pela articulação da empresa portuguesa com a empresa mãe alemã, sendo através desta que os gerentes das empresas portuguesas adquirentes do aço eram ressarcidos particularmente das quantias pagas em excesso, quantias essas que eram assim desviadas do circuito contabilístico, acabando em contas particulares desses gerentes", refere uma nota policial.
Para anular os lucros empolados da facturação da empresa criada em Portugal, a empresa mãe alemã fazia aumentar os respectivos custos, mediante a emissão de "notas de débito".
Segundo a PJ, "o esquema assim utilizado, para além de resultar numa distorção da concorrência, levava à descapitalização das empresas portuguesas e a um enriquecimento ilegítimo dos seus sócios, frustrando, ainda, a liquidação dos impostos em sede de IRC e IRS".
O Diário de Leiria apurou junto de fonte da delegação de finanças que o esquema estaria a ser aplicado já há dois anos e meio ou três anos, tendo a investigação sido conduzida pela Polícia Judiciária de Aveiro em articulação com os serviços fiscais daquele distrito. Durante a operação foram feitas visitas a empresas, nas zonas de Leiria e várias na região da Marinha Grande.



(surripiado do Diário de Leiria)

11 comentários:

Wolverine disse...

Bem...cerca de 80 empresas são quase a totalidade de empresas de moldes da Marinha... Depois são as empresas que não dão lucro... É este o tipo de patrão típico português: o aldrabão. Dinheiro para o pópó novo e para as casas de férias do Algarve e estrangeiro há, agora para investir na empresa ou aumentar os ordenados não. Ainda vêm estes senhores depois reclamar ajudas á indústria dos moldes... Piores que estes só os da indústria da cristalaria...

Pensador disse...

Aqui o Wolverine deve estar a 'tomar a núvem por Juno'!
Não tenho quaisquer dúvidas que, em alguns casos até poderá ser aquilo que afirma. Mas deixo uma pergunta para a qual não tenho resposta: será que todo o dinheiro (mal) gerado por aquela manigância se destinou a pópós e a casas no Algarve?
Cá por mim, não estou assim tão certo...
Mas lá que há muitos (pseudo) industriais bem capazes de fazer isso, disso também não tenho dúvida! Só que não se pode colocar toda a gente no mesmo saco. Não é?

Wolverine disse...

A vantagem de conhecer o meio dos moldes (embora não todos os seus meandros) confere-me o direito de falar assim. Só para ter uma ideia, caro amigo pensador, sabia que o proprietário de um dos (senão mesmo do 1º) Hummer existente no país é o proprietário de uma empresa de moldes na Marinha Grande e que pouco ou nada aumentou salários na sua empresa invocando dificuldades financeiras? Quando os colaboradores acederam resignados com a sua sorte, zás! Eis que o Hummer aparece estacionado á sua porta para todos os dias eles o verem bem. Além de mentiroso, este "patrão" ainda goza com os seus colaboradores.
Respondendo ainda ao seu comentário, não meti todos os industriais no mesmo saco, até porque os há muitos honestos e que são apreciados pelos seus colaboradores. O que eu disse e repito é que o típico empresário português é um aldrabão. A prova disso é esta noticia: quando a quase totalidade de empresas de um sector é apanhada em fraude e evasão fiscal, estamos a falar de muita gente não?

Anónimo disse...

Gostava de saber os nomes das empresas envolvidas nesta questão.
Seria bom se poder tirar algumas dúvidas sobre as vidas destes senhores.

Anónimo disse...

PORTAGENS NÃO, OBRIGADO!!!

Preocupado disse...

Os empresarios de moldes são mentirosos e aldrabões;
Os políticos são corruptos;
Os vidreiros são ignorantes;
Os professores são incompetentes;
Os alunos são rebeldes;
Os marinhenses são toxicodependentes;
Os automobilistas são inconscientes;
Os desempregados são uns mandriões;
Os … são …

Esta mania de generalizar, faz com que TODOS os que pertencentem a um grupo sejam colocados no mesmo saco, julgados pela mesma bitola. Isto não é sério, e se em todos os grupos há uma minoria menos capaz, também há MUITOS que são altamente louváveis.

Analisem os prevaricadores e punam-nos severamente – sejam quem forem, mas deixem os restantes da classe em paz, e se possível, enalteçam-nos, pois são desses que dependemos.

Preocupado disse...

Os empresarios de moldes são mentirosos e aldrabões;
Os políticos são corruptos;
Os vidreiros são ignorantes;
Os professores são incompetentes;
Os alunos são rebeldes;
Os marinhenses são toxicodependentes;
Os automobilistas são inconscientes;
Os desempregados são uns mandriões;
Os … são …

Esta mania de generalizar, faz com que TODOS os que pertencentem a um grupo sejam colocados no mesmo saco, julgados pela mesma bitola. Isto não é sério, e se em todos os grupos há uma minoria menos capaz, também há MUITOS que são altamente louváveis.

Analisem os prevaricadores e punam-nos severamente – sejam quem forem, mas deixem os restantes da classe em paz, e se possível, enalteçam-nos, pois são desses que dependemos.

Pensador disse...

"A vantagem de conhecer o meio dos moldes (embora não todos os seus meandros) confere-me o direito de falar assim."
Palavras de Wolverine.
Meu caro, porque desconhece quem está por trás de cada pseudónimo não pode avaliar se o Pensador conhece, ou não, a indústria de Moldes. Pois eu facilito-lhe a vida - conheço e razoavelmente bem.
Sei que, neste sector, há muito, muito arrivista que tudo faz para tirar partido de uma actividade que, nas últimas décadas muito tem enriquecido o país, nos mais diversos aspectos.
Não conheço o caso que aponta, mas conheço alguns outros igualmente gritantes.
Mas também conheço muito boa gente que se tem dedicado a esta actividade de alma e coração e que, se lhes for ver o património, este em nada corresponde aos sacrifícios que fizeram durante toda a sua vida.
Por isso tenho de, veemente, discordar da forma como pôs as coisas, na medida em que, como alguém já disse para aí num dos comentários, meteu toda a gente no mesmo saco. E isso não é correcto.
Penso que se conhece o sector como diz conhecer não deixará de meter a mão na consciência e que me dará alguma razão.

Folha Seca disse...

Das noticias que li e ouvi a unica certeza é que há fraude nesta questao da compra a preços inflacionados para desviar a diferença para contas particulares...dos 200 e tal arguidos e das cerca de 80 empresas envolvidas apenas se sabe que são suspeito(a)s...
meus senhores ninguem foi julgado...não se provou ainda nada! por favor não ponham tudo no mesmo saco e não deixem que uma notícia( não tenho nada contra a liberdade de imprensa) sensacionalista enporcalhe um sector que tem demonstrado ser um dos mais pujantes da nossa economia e tem dezenas de empresários que já demonstraram grande honestidade...

PS: Para não ser acusado de estar a defender algo em causa própria, esclareço que não tenho nada directa ou indirectamente a ver com a industria ou comercio de aços ou moldes.Escrevo apenas na condição de cidadão Marinhense que defende o bom nome da sua terra e já agora por saber o que é fazer parte duma classe que é posta em causa quando aparece uma noticia sensacionalista, ou seja; quando por causa de um pinheiro seco se condena todo o pinhal...

Wolverine disse...

"Respondendo ainda ao seu comentário, não meti todos os industriais no mesmo saco, até porque os há muitos honestos e que são apreciados pelos seus colaboradores. O que eu disse e repito é que o típico empresário português é um aldrabão." Caro Pensador, com este comentário penso que ficou bem claro que não meti todos os empresários no mesmo saco, nao? É verdade que existem empresários aqui na zona que eu conheço e que ficam de volta de uma CNC até ás 4 e 5 da manhã para adiantar trabalho e não perder clientes. E sim, é verdade que ainda não foram julgados nem considerados culpados, mas se as Finanças descobriram em detalhe a tramóia que todos estes empresários faziam, só resta que por um qualquer erro judicial a condenação não lhes falhe.

Anónimo disse...

Face à discussão que li nestes comentários, que considero positiva e que acho que todos têm a sua razão, pois de tudo que é escrito, existe!
Mas parece-me que seria importante fazer uma pausa e colocar no seu devido lugar, as seguintes categorias:
- Patrão
- Empresário
- Industrial
- Gestor
- Investidor

Em boa da verdade, todas estas classificações são utilizadas de forma indescriminada e na sua maioria das vezes podendo, sem ser notado, ofendendo os visados!

Ora, se pensarmos na história desta nossa terra, que tantas e tantas vezes é esquecida e desvalorizada, sendo apenas recordada pelos, e lamentavelmente unicamente, feitos politicos, temos de respeitar e honrar os INDUSTRIAIS e EMPRESÁRIOS que no seu tempo souberam colocar o nome da Marinha Grande numa posição cimeira da industria em Portugal.

Esse legado, eventualmente tão tem sido mantido por todos, mas aqui não poderemos generalizar, porque muitos que existem, e esperando que muitos que venham a existir saibam manter essa linha de conduta.

Naturalmente, e no caso de se vir a provar o ilicito, deveremos também ver as motivações para tal, porque, vivemos num país de contradições, de lógicas erradas, ou seja, um país inserido numa economia de mercado competitiva, mas com leis de uma sociedade sem classes, de uma economia centralizada......estatitazada.....

Todos estes aspectos, devem ser pensados e reflectidos, como alguém dizia há milhares de anos.... "quem possa que atire a primeira pedra....."

Para remate, e não tendo nenhum tipo de ligação a essa actividade, mas como MARINHENSE, deixo uma última questão:
Que sociedade somos, seja ao nível Nacional, e neste caso local, onde o "PAI" da industria dos Moldes ainda nada tem na nossa cidade com o seu nome? Ingratidão? Esquecimento? INJUSTIÇA seguramente. Aqueles que não sabem reconhecer e respeitar NUNCA poderão ser RESPEITADOS.

Penso que cada vez que cada um nós fala ou se refere à Industria dos Moldes, deveria haver um peso na cosnciencia de todos e sentirmos todos vergonha de tal.

Esqueçamos as questões menores, e como é, ou era, apanágio dos Portugueses, arregaçar mangas e Recolocar a MArinha Grande no seu sitio.