Os dirigentes regionais do PCP revelaram, ontem de manhã, que, nos últimos cinco anos, os sectores da cerâmica e do vidro empurraram para o desemprego cerca de 20 mil trabalhadores.
Essa preocupação dos dirigentes comunistas foi transmitida ontem de manhã, durante um périplo que fizeram a várias empresas do distrito, nas áreas da cerâmica e vidro, que despediram milhares de trabalhadores.
Uma das empresas visitadas pela comitiva, que encerrou portas em 2005, deixando noo desemprego 48 funcionários, alguns deles com mais de 25 anos de trabalho, foi a Plásticos Lena, na Gândara dos Olivais, Marrazes.
António Marcelino, dirigente sindical, lamenta que a ex-administração da empresa não tenha pago o subsídio de Natal de 2004, o vencimento do mês Janeiro e parte do de Fevereiro de 2005 e as respectivas indemnizações.
“Existiam encomendas e o sector dos plásticos não é daqueles que está em crise, por isso só podemos concluir que houve gestão danosa”, ataca o dirigente sindical, adiantando que a compra das instalações em hasta pública foi feita pelo ex-proprietário.
“Isto é inadmissível que aconteça e os trabalhadores estão sem receber as indemnizações”, acrescenta. Um dos trabalhadores, presente no encontro, adiantou que existem casais ex-trabalhadores que augardam pelo pagamento de 50 mil euros de indemnização.
Para Vitor Fernandes, dirigente comunista, o caso dos Plástico Lena é idêntico ao de outras empresas do distrito, que encerraram portas por alegada “má gestão” e por não conseguirem suportar a crise internacional, na área da cerâmica, como é o caso da Raul da Bernarda, em Alcobaça.
Os cerca de 100 trabalhadores desta cerâmica aguardam pelo processo de reestruturação em curso, tal como revelou recentemente ao Diário de Leiria um dos administradores. “Esperemos que a empresa regresse à laboração, embora estejamos um pouco cépticos em relação ao futuro”, afirma Vitor Fernandes.
Mais apoios às Pequenas
e Médias Empresas
Uma das soluções apontadas por Vítor Fernandes para evitar o encerramento de mais empresas - segundo dados revelados pelos comunistas nos últimos cinco anos encerraram no distrito 300 unidades industriais-, passa pela criação de uma linha de crédito de apoio às Pequenas e Médias Empresas, para que possam reestruturar-se e manter os postos de trabalho.
“Não basta anunciar medidas. É necessário colocá-las em prática porque, caso contrário, o futuro não será nada risonho”, sustenta.
Nos últimos cinco anos das cerca de três centenas de empresas, destacam-se a Secla, A Pastoret, La Faubourg, nas Caldas da Rainha), Damâso (Vieira de Leiria, Os Pereiras e a Louçarte, em Valado dos Frades, a Canividro, Vitroibérica, Mortense e LEPE (Marinha Grande).
(surripiado do Diário de Leiria)





