Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, o mundo está melhor, está pior ou está simplesmente diferente?
Se no plano internacional a queda do muro corresponde a um ícone, símbolo emblemático no ponto de viragem das relações entre Leste e Oeste e do fim da Guerra Fria, na própria “Alemanha de Leste”, a vozes de desagrado parecem ser em maior número, relevando no essencial as diferentes condições de vida existentes nos “dois lados”:
"uma sondagem conclui que os alemães de Leste consideram que a reunificação não foi consumada e que a esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática."
A nota que o PCP enviou à Lusa e que a seguir se reproduz, porque representa uma visão fortemente crítica daquele momento histórico, poderá ser assim o ponto de partida para a discussão.
Bom fórum, bons bitaites.
“Muro/20 anos
O mundo está mais injusto, mais desigual e mais perigoso, diz PCP
2009-11-04, 08h30
Lisboa, 04 Nov (Lusa) - O Partido Comunista Português (PCP) considera que 20 anos após a queda do Muro de Berlim "o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático" e que aumentou a "opressão e exploração dos povos".
"As 'comemorações de regime' a que assistimos - com o seu carácter profundamente anti-comunista - são uma operação de reescrita da história e de branqueamento do capitalismo", critica o PCP numa nota enviada à Lusa a propósito dos 20 anos da queda do Muro de Berlim.
"Contrariando o comemorativismo e o triunfalismo que o capitalismo quer impor à humanidade a propósito da 'queda do muro de Berlim', a verdade é que o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático", aponta o texto do gabinete de imprensa do PCP.
Para os comunistas, "intensifica-se a opressão e a exploração dos povos - a começar por muitos dos ex-países socialistas, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do Estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançados".
A pobreza, a emigração em massa e a fome marcam a vida de milhões de seres humanos, "enquanto uma pequena minoria acumula fortunas colossais", prossegue o texto.
"Centenas de milhar de mortos e milhões de feridos, desalojados e refugiados - do Iraque ao Líbano e aos Balcãs, do Afeganistão à Palestina - são o saldo da cruzada de guerra, a que se associa uma nova corrida aos armamentos e o recrudescimento do militarismo, que ilustram bem a natureza agressiva e criminosa do imperalismo", aponta o PCP.
"Esta é a verdadeira face destes '20 anos' que as classes dominantes celebram hoje com entusiasmo", conclui.
Para o PCP, "em Portugal e no mundo, se há coisa que estes 20 anos confirmam é que o capitalismo não só é incapaz de resolver os grandes problemas da humanidade e do planeta, como é o principal factor do seu agravamento".
A solução dos problemas da humanidade "não está nas contra-revoluções que há 20 anos varreram o Leste europeu", considera o PCP, manifestando-se fiel aos ideais da "grande Revolução de Outubro" de 1917.”
(via Câmara Corporativa)